Alunos e servidores da Uerj entram em conflito

Publicado em 15 de Janeiro de 2025 | Atualizado há 2 horas

Nos últimos dias, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) tornou-se palco de um acirrado conflito entre estudantes e servidores técnico-administrativos. As tensões, que vinham se acumulando há meses, explodiram em protestos e ocupações, paralisando parcialmente as atividades da instituição. Entenda as causas, os desdobramentos e o que está em jogo.

O contexto da crise na Uerj

A Uerj, uma das principais universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, enfrenta há anos dificuldades orçamentárias. A falta de repasses do governo estadual, combinada com a inflação e os cortes federais na educação, levou a sucessivos atrasos salariais e à deterioração da infraestrutura. Servidores denunciam a precarização do trabalho, enquanto alunos reivindicam melhores condições de ensino, como salas de aula equipadas, restaurante universitário funcionando e assistência estudantil.

Além disso, a reitoria anunciou um plano de contingenciamento que inclui a redução de terceirizados e o corte de bolsas, medida que foi recebida com forte rejeição por ambas as categorias. O diálogo entre a administração central e as entidades representativas praticamente estagnou nos últimos meses, criando um ambiente propício para o confronto.

Como o conflito começou

O estopim foi uma assembleia geral realizada no campus Maracanã, onde estudantes e servidores decidiram ocupar a reitoria como forma de pressionar por negociações. A ocupação, pacífica nos primeiros dias, foi recebida com uma ordem de reintegração de posse expedida pela Justiça. No cumprimento do mandado, houve confronto entre manifestantes e a polícia militar, resultando em feridos leves e detenções.

Imagens do impacto circularam rapidamente nas redes sociais, ampliando a mobilização. Outros campi da Uerj, como Petrópolis e Resende, também aderiram a paralisações e atos de solidariedade. O sindicato dos servidores (Sintuperj) convocou greve por tempo indeterminado, enquanto o Diretório Central dos Estudantes (DCE) lançou um calendário de protestos.

Reivindicações de alunos e servidores

Servidores técnico-administrativos: exigem o pagamento imediato dos salários atrasados, a revogação do plano de contingenciamento e a contratação de novos funcionários para suprir o déficit de pessoal. Denunciam que muitos setores estão operando com menos da metade da equipe necessária, sobrecarregando os profissionais ativos.

Estudantes: reivindicam a recomposição do orçamento da assistência estudantil, a manutenção das bolsas de permanência, a melhoria da infraestrutura dos campi (como laboratórios, bibliotecas e acessibilidade) e a garantia de que não haverá represálias contra os participantes da ocupação. Também pedem a mediação do Ministério da Educação (MEC) no conflito.

Impacto no calendário acadêmico e na rotina

A greve dos servidores e as ocupações estudantis já provocam a suspensão de aulas, eventos acadêmicos e atendimentos administrativos. O hospital universitário Pedro Ernesto, referência no SUS, opera com equipe reduzida, gerando preocupação entre pacientes. A reitoria, por sua vez, afirma estar aberta ao diálogo, mas condiciona a desocupação dos prédios ao fim da greve.

O Ministério Público Estadual instaurou um procedimento para acompanhar as negociações e garantir que os direitos fundamentais sejam preservados. Até o momento, não há previsão de acordo.

Reações e próximos passos

Entidades como a Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj) manifestaram solidariedade aos servidores e alunos, mas defendem uma solução negociada. Políticos da oposição no estado cobram a intervenção do governador. A comunidade acadêmica de outras universidades fluminenses, como UFF e UniRio, também realizou atos em apoio.

Uma nova rodada de negociações está prevista para os próximos dias, mediada pela Secretaria Estadual de Educação. Caso não haja avanço, o conflito pode se estender por todo o primeiro semestre letivo, comprometendo o ano acadêmico de milhares de estudantes.

Perguntas frequentes sobre o conflito na Uerj

O que motivou o conflito entre alunos e servidores?
O conflito foi desencadeado pela insatisfação com atrasos salariais, cortes orçamentários e a falta de diálogo com a reitoria, somados à tentativa de reintegração de posse de uma ocupação pacífica.

A Uerj está fechada?
Não totalmente. As atividades administrativas e acadêmicas estão parcialmente suspensas, mas alguns setores essenciais, como o hospital universitário, continuam funcionando com esquema de emergência.

Como posso me informar sobre a situação?
Acompanhe os canais oficiais da Uerj, do DCE Uerj e do Sintuperj. O Jurema em Foco também trará atualizações em nossa página de Educação.

Resumo dos principais pontos

  • Estudantes e servidores da Uerj entraram em conflito após ocupação da reitoria e reintegração de posse com uso de força policial.
  • Servidores reivindicam salários atrasados e fim do contingenciamento; estudantes pedem melhoria da assistência e infraestrutura.
  • Greve dos servidores e ocupações estudantis paralisam parcialmente a universidade.
  • Novas negociações estão previstas com mediação do governo estadual.