Anvisa atualiza composição de vacinas contra gripe para 2025
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a atualização da composição das vacinas contra influenza para o ano de 2025, alinhada às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Hemisfério Sul. A decisão considera os dados de vigilância epidemiológica coletados ao longo do último ano e busca garantir que a imunização ofereça a melhor proteção possível contra as cepas do vírus que devem circular com maior intensidade durante o outono e inverno brasileiros. A medida mantém o compromisso do Brasil com as melhores práticas internacionais de prevenção da gripe.
Por que a composição das vacinas contra gripe muda todos os anos?
O vírus influenza sofre mutações constantes, especialmente nas proteínas de superfície (hemaglutinina e neuraminidase), que são os principais alvos do sistema imunológico. Esse fenômeno, conhecido como deriva antigênica, faz com que as cepas que circulam em um ano sejam diferentes das que circularam no anterior. Por isso, a OMS mantém uma rede global de vigilância que monitora o comportamento do vírus ao longo de todo o ano. Com base nessa vigilância, são identificadas quais cepas têm maior probabilidade de predominar na próxima temporada e, então, a composição da vacina é ajustada para corresponder a essas cepas. A Anvisa, como autoridade regulatória brasileira, analisa as evidências técnicas e autoriza a atualização para que as vacinas disponíveis no país estejam sempre alinhadas às recomendações mais recentes.
Quais cepas foram incluídas para 2025?
Para a temporada de 2025 no Hemisfério Sul, a OMS recomendou a inclusão de cepas representativas dos dois subtipos de influenza A (H1N1 e H3N2) e das duas linhagens do influenza B (Victoria e Yamagata). Essa composição quadrivalente — que protege contra quatro tipos diferentes do vírus — é a mesma utilizada nos principais países da América do Sul e Europa. A Anvisa, após análise técnica criteriosa, aprovou a adoção dessas cepas para as vacinas produzidas e distribuídas no Brasil. As vacinas da campanha nacional serão fabricadas pelo Instituto Butantan, parceiro histórico da OMS, enquanto a rede privada também ofertará doses com a mesma formulação, importadas ou de produção nacional. A escolha das cepas leva em conta os vírus que mais circularam no último ano e as projeções epidemiológicas para a próxima estação.
O que muda para a população?
A principal diferença prática é que a vacina ofertada na campanha nacional de vacinação conterá proteínas das novas cepas selecionadas. Quem já se vacinou em anos anteriores precisará tomar a dose atualizada para estar protegido contra as variantes mais recentes do vírus. A eficácia da vacina depende diretamente da correspondência entre as cepas vacinais e as que realmente circulam — por isso a atualização anual é tão importante. A forma de administração continua a mesma: via intramuscular, em dose única anual para a maioria das pessoas. Para crianças de 6 meses a 8 anos que nunca receberam a vacina, podem ser necessárias duas doses com intervalo de 30 dias. A campanha nacional de vacinação contra a gripe geralmente ocorre entre os meses de abril e maio, mas as datas exatas são definidas pelo Ministério da Saúde e podem variar por região.
Quem deve se vacinar contra a gripe em 2025?
O Ministério da Saúde define anualmente os grupos prioritários para a vacinação gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Tradicionalmente, incluem-se crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, idosos com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, professores, indígenas, pessoas com comorbidades (como diabetes, doenças cardíacas e respiratórias crônicas), forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores portuários. A vacinação também está disponível na rede privada para toda a população a partir dos 6 meses de idade. Mesmo quem não faz parte dos grupos prioritários pode se beneficiar da vacina, reduzindo o risco de doença grave e ajudando a diminuir a circulação do vírus na comunidade.
Perguntas frequentes sobre a vacina contra gripe
1. A vacina contra gripe pode causar a doença?
Não. A vacina é composta por vírus inativados (mortos) ou por partículas virais purificadas, incapazes de causar a gripe. Podem ocorrer reações leves, como dor no local da aplicação, febre baixa ou cansaço, que são normais e indicam que o sistema imunológico está respondendo à vacina.
2. Quem já teve gripe este ano precisa se vacinar?
Sim. A infecção natural por uma cepa não confere proteção contra todas as cepas incluídas na vacina. A vacinação ainda é recomendada, pois a imunidade adquirida pela doença pode não ser duradoura ou ampla o suficiente para cobrir as variantes sazonais.
3. A vacina está disponível em todas as unidades de saúde?
A vacina é distribuída pelo SUS para os grupos prioritários durante a campanha nacional. As unidades básicas de saúde aplicam a dose dentro do período definido. Na rede particular, a vacina pode ser encontrada em clínicas de vacinação autorizadas durante todo o ano.
4. Quantas doses são necessárias?
Para a maioria das pessoas, uma dose anual é suficiente. Crianças que recebem a vacina pela primeira vez podem necessitar de duas doses com intervalo de 30 dias. Consulte o calendário oficial ou o profissional de saúde para orientação específica.
5. A vacina contra gripe e a vacina contra covid-19 podem ser tomadas juntas?
Sim. Estudos demonstram que é seguro administrar ambas as vacinas na mesma visita, em locais anatômicos diferentes. A recomendação dos órgãos de saúde é manter os dois calendários em dia, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
6. Qual a eficácia da vacina contra gripe?
A eficácia varia a cada ano, dependendo da correspondência entre as cepas vacinais e as que efetivamente circulam. Em geral, a vacina reduz significativamente o risco de doença grave, hospitalização e morte. Mesmo quando não previne completamente a infecção, atenua os sintomas e diminui a carga sobre o sistema de saúde.
