Ato em SP conclama para medidas de mitigação da emergência climática

Por Redação | 14 de Janeiro de 2025

São Paulo — Em meio à crescente frequência de eventos climáticos extremos — enchentes, ondas de calor e secas prolongadas — um ato público realizado no centro da capital paulista reuniu centenas de pessoas no último final de semana. Organizado por uma ampla coalizão de movimentos sociais, ONGs ambientalistas e coletivos juvenis, o evento teve como objetivo pressionar governantes e a sociedade para a adoção urgente de medidas de mitigação da emergência climática.

O que é a emergência climática?

A emergência climática é o reconhecimento de que as mudanças climáticas induzidas pela ação humana atingiram um nível crítico, exigindo respostas imediatas e proporcionais. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já alertou que o aquecimento global ultrapassou 1,2°C em relação aos níveis pré-industriais, e que sem uma redução drástica nas emissões de gases de efeito estufa, os impactos serão irreversíveis. No Brasil, os efeitos são visíveis: a Amazônia registra taxas alarmantes de desmatamento, o Pantanal sofre com queimadas recordes e cidades como São Paulo enfrentam tempestades cada vez mais intensas.

Por que o ato foi convocado?

A insuficiência das políticas climáticas atuais foi a principal motivação. Apesar dos compromissos assumidos no Acordo de Paris, o Brasil ainda enfrenta desafios para reduzir suas emissões. O desmatamento ilegal, o incentivo a combustíveis fósseis e a falta de planejamento urbano adaptado ao clima são pontos criticados pelos organizadores. O ato também serviu para dar visibilidade à pauta climática em um momento em que o país discute novas regras para exploração de petróleo e gás, e para cobrar dos governos estadual e federal ações mais ambiciosas.

Principais medidas de mitigação propostas

O documento entregue ao governo paulista lista uma série de propostas baseadas em evidências científicas e em experiências bem-sucedidas ao redor do mundo. As principais medidas incluem:

  • Transição energética: acelerar a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis como energia solar, eólica e biomassa, além de eliminar subsídios a atividades poluentes.
  • Mobilidade sustentável: expandir a rede de transporte público elétrico, criar corredores exclusivos para ônibus, ampliar ciclovias e adotar políticas de restrição a veículos altamente emissores.
  • Proteção e restauração de ecossistemas: zerar o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, recuperar áreas degradadas na Mata Atlântica e fortalecer unidades de conservação.
  • Agricultura de baixo carbono: incentivar práticas como integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e sistemas agroflorestais, que sequestram carbono e aumentam a resiliência.
  • Resiliência urbana: implementar planos municipais de adaptação, com aumento de áreas verdes, drenagem sustentável e combate às ilhas de calor nas grandes cidades.
  • Educação e conscientização: incluir a crise climática como tema transversal nas escolas e promover campanhas de engajamento da sociedade.

O contexto brasileiro

O Brasil possui uma posição singular no cenário global. Abriga a maior floresta tropical do mundo, detém uma das matrizes energéticas mais renováveis — com destaque para a hidrelétrica, solar e eólica — e tem um enorme potencial para se tornar líder em economia de baixo carbono. No entanto, o país ainda enfrenta contradições. O desmatamento na Amazônia, embora tenha apresentado queda em 2024, continua em níveis elevados. A exploração de petróleo na margem equatorial e a expansão do agronegócio sobre áreas nativas geram pressões adicionais. O ato em São Paulo surge como um chamado para que o Brasil retome o protagonismo ambiental e transforme seus compromissos em ações concretas.

Próximos passos e como se envolver

Os organizadores do ato anunciaram que darão continuidade à mobilização com novos eventos, campanhas digitais e reuniões com parlamentares. Para quem deseja contribuir, as recomendações incluem: reduzir o consumo de energia e combustíveis, optar por meios de transporte sustentáveis, apoiar organizações que atuam na defesa do meio ambiente e cobrar de políticos locais e nacionais a implementação de políticas climáticas robustas. A emergência climática é um desafio coletivo que exige a participação de todos.

Perguntas frequentes

1. O que significa “mitigação” no contexto climático?

Mitigação refere-se às ações que visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa ou aumentar os sumidouros de carbono, com o objetivo de limitar o aquecimento global e seus impactos.

2. O ato em SP teve adesão de quantas pessoas?

Estimativas dos organizadores apontam a participação de milhares de pessoas. A diversidade de públicos — jovens, acadêmicos, trabalhadores, indígenas e quilombolas — foi um dos destaques.

3. Quais entidades apoiaram o ato?

O evento contou com o apoio de diversas organizações ambientais, movimentos estudantis, centrais sindicais e coletivos de periferia. Entre os nomes de destaque estavam representantes do Observatório do Clima, Greenpeace Brasil, Instituto Socioambiental e a articulação dos Povos Indígenas.

4. O documento entregue ao governo tem força legal?

O documento tem caráter propositivo e serve como pressão política. Os organizadores esperam que ele seja debatido na Assembleia Legislativa e sirva de base para projetos de lei e políticas públicas.

5. Como posso participar dos próximos atos?

As informações sobre mobilizações futuras serão divulgadas nas redes sociais das entidades organizadoras e no site do Jurema em Foco. Acompanhe nossas atualizações nas categorias Política e Saúde.

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