Direitos Humanos

Ato pede centro de memória em quartel que abrigou DOI-Codi no RJ

Da Redação | Jurema em Foco

Um ato promovido por movimentos de direitos humanos, familiares de mortos e desaparecidos políticos e entidades sindicais exigiu a criação de um centro de memória no quartel que abrigou o Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi) no Rio de Janeiro. O local, considerado um dos maiores símbolos da repressão política durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), segue sob administração do Exército.

O evento, realizado nas proximidades do quartel da 1ª Divisão de Exército, na Tijuca, Zona Norte do Rio, contou com depoimentos emocionados de sobreviventes e parentes de vítimas. A principal reivindicação é que o imóvel seja transformado em um espaço público de memória, nos moldes do que já ocorreu em países como Argentina e Chile.

O que foi o DOI-Codi?

O DOI-Codi foi o principal órgão de repressão do regime militar. Enquanto o Centro de Operações de Defesa Interna (Codi) coordenava as ações, o Destacamento de Operações de Informações (DOI) era o braço operacional, responsável por prisões arbitrárias, interrogatórios ilegais e práticas sistemáticas de tortura. Estima-se que milhares de presos políticos tenham passado por suas instalações em todo o país. No Rio de Janeiro, o DOI foi responsável por alguns dos casos mais emblemáticos de desaparecimento forçado e execução sumária.

O quartel-símbolo da repressão no Rio

O quartel que abrigou o DOI-Codi/RJ está localizado na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca. O imóvel, de grande valor histórico, permanece nas mãos das Forças Armadas, abrigando atualmente unidades do Exército Brasileiro. Para os movimentos sociais, manter o local como uma área militar fechada à visitação pública representa uma tentativa de apagar a memória do que ali ocorreu. "É como se a ditadura ainda tivesse uma holding sobre a memória nacional", afirmou um dos coordenadores do ato.

O ato pela memória

O ato público reuniu dezenas de pessoas com faixas e cartazes pedindo a abertura dos arquivos da repressão e a transformação do espaço em um memorial. Lideranças da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de comissões da verdade estiveram presentes. Uma carta aberta foi lida, endereçada ao governo federal e ao comando do Exército, solicitando a cessão do imóvel para a sociedade civil.

Por que um centro de memória?

A criação de centros de memória em antigos locais de repressão é uma das principais recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Países do Cone Sul, como a Argentina, que transformou a Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA) em um museu, mostram que o resgate da memória é fundamental para o fortalecimento da democracia. No Brasil, a implantação efetiva desses espaços ainda enfrenta forte resistência. Um centro de memória no DOI-Codi/RJ serviria para educar as novas gerações, preservar a história das vítimas e promover a pesquisa acadêmica sobre o período.

Próximos passos e desafios

O ato desta semana reforça a pressão política sobre o Executivo e o Judiciário para que a pauta da justiça de transição avance. Os organizadores prometem levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) caso o governo brasileiro continue negligenciando a destinação dos imóveis que serviram à repressão. A expectativa é que o debate se intensifique ao longo do ano, com novas manifestações e articulações no Congresso Nacional para a aprovação de um marco legal da memória.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que significa a sigla DOI-Codi?

DOI significa Destacamento de Operações de Informações e Codi, Centro de Operações de Defesa Interna. Era a estrutura do Exército responsável por coordenar e executar a repressão política durante a ditadura militar, sendo o DOI o braço operacional que realizava prisões e interrogatórios.

Onde ficava o DOI-Codi no Rio de Janeiro?

Funcionava dentro do Quartel da 1ª Divisão de Exército, localizado na Rua Barão de Mesquita, no bairro da Tijuca, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

O que é um centro de memória?

É um espaço público e aberto à visitação que visa preservar a história de um local ou período, promover a educação sobre direitos humanos e homenagear as vítimas. No caso dos antigos centros de repressão, funciona como um instrumento de justiça de transição, garantindo que o passado não seja esquecido nem repetido.

Qual a importância da criação deste centro de memória?

A criação do centro de memória no DOI-Codi/RJ é uma medida de reparação histórica e simbólica. Além de dar visibilidade às violações cometidas, o espaço serviria como um arquivo histórico e um centro educacional, contribuindo para a consolidação democrática e a prevenção de novos autoritarismos.