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B20 discute regulação da IA e empresas de tecnologia pedem diálogo

Por Redação Jurema em Foco | 15 de janeiro de 2025

O B20, grupo que representa o setor empresarial nas discussões do G20, colocou a regulação da inteligência artificial (IA) como um dos pilares de sua agenda durante o encontro realizado no Brasil. Empresas de tecnologia presentes no evento defenderam a construção de um marco regulatório por meio de um diálogo amplo entre governos, setor privado e sociedade civil, alertando para os riscos de decisões unilaterais que possam fragmentar o mercado global e travar a inovação.

O papel do B20 na governança global

O B20 é o fórum oficial de engajamento da comunidade empresarial junto ao G20. Suas recomendações influenciam diretamente as decisões dos líderes das maiores economias do mundo sobre comércio internacional, transformação digital e desenvolvimento sustentável. No contexto da presidência brasileira do G20 em 2024 e 2025, o B20 ganha ainda mais relevância, servindo como termômetro para as demandas do setor produtivo em temas que vão da reforma da OMC à regulação de novas tecnologias.

A edição brasileira do evento reuniu centenas de líderes empresariais e representantes de governos. Entre os grupos de trabalho, o de Transformação Digital foi um dos mais concorridos, refletindo a urgência que o tema da inteligência artificial assumiu na agenda global.

A urgência de regular a inteligência artificial

O avanço acelerado da IA generativa trouxe à tona questões críticas sobre privacidade, viés algorítmico, desinformação e impactos no mercado de trabalho. Diferentes países vêm adotando abordagens distintas: enquanto a União Europeia avança com o AI Act, baseado no risco, os Estados Unidos adotam uma postura mais flexível, focada em princípios voluntários e códigos de conduta.

No B20, a percepção geral é de que a regulação é necessária, mas precisa ser inteligente e coordenada. "Não podemos repetir o erro de criar barreiras regulatórias que impeçam pequenas e médias empresas de competir", afirmou um dos coordenadores do grupo de trabalho, sob condição de anonimato. O consenso é que uma abordagem fragmentada pode gerar insegurança jurídica e travar o desenvolvimento de soluções inovadoras.

O apelo do setor de tecnologia por diálogo

Em nota conjunta divulgada durante o evento, dezenas de empresas de tecnologia pediram que os governos evitem pressa na criação de leis que possam se tornar obsoletas ou excessivamente restritivas. Elas propõem um modelo de governança multissetorial, que inclua especialistas, academia e a sociedade civil, e não apenas os governos e o setor privado.

O principal temor do setor é a falta de coordenação internacional, que levaria a um "emaranhado" de regras conflitantes. Para uma startup brasileira tentando escalar para a América Latina ou para a Europa, ter que lidar com legislações completamente diferentes pode ser inviável. "Precisamos de um piso mínimo de regras globais que garantam direitos sem sufocar a inovação", defendeu um dos representantes do setor durante o painel.

O debate regulatório no Brasil

O Brasil está na vanguarda do debate com projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, como o PL 2338/2023, que estabelece um marco legal para a IA. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) também são peças-chave na construção de um ambiente regulatório sólido.

As discussões no B20 servem como um termômetro para alinhar a posição brasileira com as melhores práticas internacionais. O governo brasileiro já sinalizou que deseja usar sua presidência do G20 para avançar em uma declaração conjunta sobre governança da IA, algo que foi bem recebido pelo setor empresarial presente no encontro.

Perspectivas para o futuro

A expectativa é que as recomendações do B20 sejam formalmente levadas à cúpula de líderes do G20, que acontecerá no Rio de Janeiro. O consenso geral é de que a regulação da IA não é mais uma questão de "se", mas de "como". O caminho apontado pelo B20 é o do diálogo aberto, da cooperação internacional e da construção de marcos regulatórios flexíveis, que protejam a sociedade sem sufocar a inovação.

O debate está apenas começando, e o Brasil, ao sediar os principais fóruns de discussão global, tem a oportunidade de se posicionar como um protagonista na definição das regras que moldarão o futuro da economia digital.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o B20?

O B20 (Business 20) é o grupo de engajamento oficial do setor privado no âmbito do G20. Ele reúne líderes empresariais das maiores economias do mundo para formular recomendações aos chefes de estado sobre temas como comércio, finanças e inovação.

Por que a regulação da IA é um tema central no B20?

Porque a inteligência artificial está transformando a economia global. Definir regras claras e justas é essencial para garantir segurança jurídica, proteção de direitos e um ambiente propício para negócios e inovação. O B20 busca influenciar essas regras para que sejam equilibradas e coordenadas internacionalmente.

Qual é a principal demanda das empresas de tecnologia?

As empresas pedem um diálogo multissetorial amplo e alertam para os riscos de uma "colcha de retalhos" regulatória internacional. Elas defendem regras baseadas em risco, que não criem barreiras desnecessárias à inovação e que sejam construídas de forma coletiva entre governos, setor privado e sociedade civil.