Brasil aumentou em 8% coleta de células-tronco de medula óssea
O Brasil registrou um aumento de 8% na coleta de células-tronco de medula óssea em 2024, impulsionado por campanhas nacionais de doação e maior conscientização sobre a importância do transplante. Os números reforçam o papel do país como referência na América Latina e trazem esperança a milhares de pacientes que aguardam por um doador compatível.
O que são células-tronco de medula óssea?
As células-tronco hematopoiéticas são células precursoras que dão origem a todas as células do sangue – glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Elas estão presentes na medula óssea e são responsáveis por repor continuamente as células sanguíneas. O transplante de medula óssea, também chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas, é um tratamento essencial para doenças graves como leucemia, linfoma, mieloma múltiplo, anemia aplástica e outras desordens hematológicas.
No Brasil, o transplante é realizado em centros credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por hospitais privados. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) é um dos maiores bancos de doadores do mundo, com mais de 5 milhões de cadastrados.
O aumento de 8%: o que os números mostram
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a coleta de células-tronco de medula óssea cresceu 8% em 2024 em relação ao ano anterior. Esse avanço é significativo porque a demanda por transplantes continua alta: atualmente, cerca de 2.000 pacientes aguardam na fila por um doador compatível. Cada coleta bem-sucedida representa uma chance real de cura para alguém que depende desse tratamento.
O crescimento foi puxado principalmente pelas regiões Sudeste e Nordeste, onde campanhas locais e parcerias com hemocentros incentivaram a doação. A expansão da coleta também reflete a melhoria na logística e no transporte de material biológico, garantindo que as células-tronco cheguem rapidamente aos centros transplantadores.
Fatores que impulsionaram o crescimento
- Campanhas de conscientização: ações em redes sociais, programas de TV e parcerias com influenciadores divulgaram histórias de pacientes e doadores, reduzindo o medo e a desinformação.
- Ampliação do REDOME: o banco de doadores brasileiro ganhou novos cadastros, especialmente entre jovens de 18 a 35 anos.
- Parcerias com hemocentros: a coleta de amostras para tipagem foi simplificada, com mutirões em faculdades, empresas e eventos públicos.
- Protocolos mais eficientes: hospitais adotaram técnicas menos invasivas e melhoraram o acompanhamento dos doadores, aumentando a confiança no processo.
Desafios para ampliar ainda mais a doação
Apesar do avanço, o Brasil ainda enfrenta obstáculos. A compatibilidade entre doador e receptor é mais provável entre pessoas da mesma origem étnica. A diversidade genética da população brasileira exige um banco de doadores igualmente diverso, o que significa que ainda é necessário cadastrar mais pessoas de grupos étnicos sub‑representados.
Outro desafio é a desinformação. Muitas pessoas ainda acreditam que a doação é um procedimento doloroso e arriscado. Na realidade, a doação por aférese (coleta das células-tronco do sangue periférico) é indolor e não requer internação. Já a coleta cirúrgica é feita sob anestesia e o doador recebe alta em até 24 horas.
Como se tornar um doador de medula óssea
Para se cadastrar como doador voluntário, é necessário:
- Ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado de saúde.
- Ir a um hemocentro ou posto de coleta autorizado.
- Preencher um cadastro e doar uma pequena amostra de sangue (cerca de 10 ml) para tipagem HLA.
- Se houver compatibilidade com um paciente, o doador é convocado para exames complementares e para a doação efetiva.
O procedimento é seguro, não há riscos graves e o doador não paga nada. Caso o cadastro não seja mais desejado, é possível solicitar a exclusão a qualquer momento. Veja mais notícias sobre saúde no Jurema em Foco.
Perguntas frequentes sobre doação de medula óssea
A doação de medula óssea dói?
A doação por aférese é indolor. Na coleta cirúrgica, o doador recebe anestesia e não sente dor durante o procedimento. Após a cirurgia, pode haver desconforto local, mas é passageiro.
Quanto tempo leva a recuperação?
Geralmente, o doador retoma suas atividades normais em poucos dias. A medula óssea se regenera completamente em cerca de três semanas.
O doador corre riscos?
Os riscos são mínimos e comparáveis a qualquer procedimento com anestesia. A equipe médica acompanha todo o processo e o doador recebe todas as orientações.
Posso desistir depois de me cadastrar?
Sim, o cadastro é voluntário. Porém, se houver um paciente compatível, a desistência pode comprometer o tratamento. Por isso, é importante refletir antes de se cadastrar.
Perspectivas para os próximos anos
O crescimento de 8% é um sinal positivo, mas especialistas apontam que o país precisa atingir um patamar ainda maior para atender toda a demanda. A meta é chegar a 10 milhões de doadores cadastrados no REDOME. Com campanhas contínuas e investimento em infraestrutura, o Brasil pode se consolidar como referência mundial em transplante de medula óssea.
Se você ainda não é doador, considere se cadastrar. Um gesto simples pode salvar vidas. Acesse o site do Jurema em Foco para acompanhar outras notícias sobre saúde e cidadania.
