Brasil não corre risco de crise energética em 2024, diz ministro Alexandre Silveira
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assegurou nesta terça-feira que o Brasil não enfrenta risco de crise energética em 2024. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Brasília, onde o ministro apresentou dados sobre a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) e os investimentos em andamento no setor elétrico brasileiro.
Situação dos reservatórios
Um dos principais indicadores para a segurança energética do país é o nível dos reservatórios das hidrelétricas. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país, estão em níveis considerados confortáveis para o período.
As chuvas dentro da média histórica nos últimos meses contribuíram para essa recuperação, afastando o fantasma do racionamento que preocupou o setor em 2021 e 2022. Além da recuperação hídrica, o governo mantém um monitoramento constante para acionar usinas termelétricas se necessário, garantindo que não haja desabastecimento em nenhum momento do ano.
Expansão das energias renováveis
O Brasil vive um boom de geração de energia solar e eólica. A capacidade instalada de energia solar fotovoltaica ultrapassou marcas históricas, somando grandes usinas e a geração distribuída, com painéis instalados em telhados de residências e comércios. Já a energia eólica, concentrada principalmente no Nordeste, consolidou-se como a segunda principal fonte da matriz elétrica brasileira.
Essa diversificação é a chave para a segurança energética. Quando os reservatórios estão baixos, o vento e o sol geralmente estão a favor. No Nordeste, a combinação de sol forte e ventos constantes tem permitido uma geração recorde, aliviando a pressão sobre o sistema do Sudeste e reduzindo a necessidade de acionamento de termelétricas a gás e óleo.
Obras de transmissão e infraestrutura
Outro ponto destacado pelo ministro foi a retomada de obras de infraestrutura essenciais para o escoamento da energia. A construção de novas linhas de transmissão, como as do Pará e Maranhão, é fundamental para levar a energia gerada na Amazônia e no Nordeste para os grandes centros consumidores do Sudeste e Centro-Oeste.
Essas obras, muitas delas paralisadas em governos anteriores, foram classificadas como prioritárias e estão com cronogramas de conclusão definidos. A expectativa do governo é que, com o aumento da capacidade de transmissão, os custos da energia também possam ser gradualmente reduzidos para o consumidor final. A interligação entre os sistemas isolados da Amazônia e o SIN também está sendo acelerada, unificando o mercado de energia nacional.
Planejamento de longo prazo
O Plano Decenal de Energia (PDE), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê investimentos robustos no setor para os próximos anos. O plano aposta na continuidade da expansão das fontes renováveis, mas também prevê a necessidade de usinas termelétricas a gás natural para garantir a segurança do sistema em períodos de estiagem prolongada.
Além disso, o marco legal da geração de energia eólica offshore (no mar) está em fase de regulamentação, o que deve abrir uma nova fronteira de investimentos para o Brasil. O governo também estuda medidas para incentivar o armazenamento de energia, como o uso de baterias em larga escala, o que pode revolucionar a forma como consumimos energia nos horários de pico.
