CCBB abre exposição de Antonio Roseno, que transformava lixo em arte

Por Redação

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta uma exposição imperdível do artista plástico cearense Antonio Roseno, conhecido por transformar materiais descartados em obras de arte impressionantes. A mostra reúne esculturas de grande porte feitas com sucata, plástico, metal e outros resíduos, convidando o público a refletir sobre consumo, meio ambiente e criatividade.

Quem é Antonio Roseno?

Natural de Cariré, no interior do Ceará, Antonio Roseno descobriu ainda na infância a paixão pelo desenho e pela modelagem. Autodidata, começou a experimentar com sucata na década de 1980, quando percebeu que peças descartadas — ferros velhos, engrenagens, para-choques de automóveis — podiam ganhar nova vida como esculturas. Seu trabalho rapidamente chamou a atenção de curadores e críticos, e hoje Roseno é reconhecido como um dos precursores da arte sustentável no Brasil.

Suas obras estão presentes em coleções particulares e instituições culturais de vários estados, além de já terem sido exibidas em mostras internacionais. O artista mantém um ateliê onde recebe visitantes e realiza oficinas, compartilhando sua técnica e sua visão sobre o reaproveitamento de materiais.

A exposição no CCBB

A mostra em cartaz no CCBB reúne cerca de 30 trabalhos que percorrem diferentes fases da carreira de Antonio Roseno, desde as primeiras experiências com sucata até as instalações monumentais mais recentes. A curadoria optou por uma montagem que valoriza a textura e a origem dos materiais, criando um diálogo entre o bruto e o elaborado.

O visitante é conduzido por um percurso que inclui painéis explicativos sobre o processo criativo do artista, vídeos que mostram a coleta de materiais em ferros-velhos e o trabalho de solda e modelagem. A exposição conta ainda com um espaço interativo onde é possível tocar em algumas peças e entender a resistência e a maleabilidade dos resíduos transformados.

Obras em destaque

Entre as obras expostas, uma das mais impactantes é a série “Grandes Aves”, composta por esculturas de mais de dois metros de altura feitas com chapas de aço recicladas, hélices de barco e peças de máquinas agrícolas. Outro destaque é “Cabeça de Touro”, uma peça imponente que utiliza componentes de automóveis e ferramentas industriais para criar uma expressão ao mesmo tempo agressiva e melancólica.

A instalação “Lixo Extraordinário” ocupa uma sala inteira e convida o público a refletir sobre a sociedade de consumo: uma montanha de detritos organizados de forma esteticamente provocadora, com objetos do cotidiano que foram descartados e agora retornam como arte. “Peixes Mecânicos”, feita com engrenagens, cabos de aço e pedaços de metal, completa o conjunto com leveza e movimento.

A técnica da transformação

Antonio Roseno trabalha principalmente com solda elétrica, maçarico e ferramentas de corte. Ele percorre ferros-velhos, desmanches e pontos de coleta seletiva em busca de matérias-primas. “Cada peça tem uma história — um motor que já moveu uma máquina, uma chapa que protegeu um veículo. Meu trabalho é dar a elas uma nova narrativa”, explica o artista.

O processo criativo é intuitivo: muitas vezes a forma da sucata sugere a obra final. Roseno acumula material por meses até que uma ideia se concretize. Ele também utiliza parafusos, porcas, correntes e outros elementos de fixação como detalhes decorativos, incorporando a função original à estética da peça.

Impacto e reflexão

Mais do que uma mostra de esculturas, a exposição de Antonio Roseno no CCBB é um convite à reflexão sobre o desperdício e o consumo desenfreado. Em um momento de urgência climática, a arte que transforma lixo em beleza ganha um significado ainda mais profundo. O artista já participou de projetos educativos em escolas e universidades, e a exposição oferece visitas mediadas e atividades práticas para crianças e adultos.

A curadora da mostra destaca que “Roseno nos mostra que o descarte não é o fim, mas pode ser o começo de algo novo. Sua obra nos ensina a olhar para os resíduos com outros olhos e a repensar nossa relação com os objetos”.

Como visitar

A exposição “Antonio Roseno: Transformando Lixo em Arte” está em cartaz no CCBB, com entrada gratuita. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 9h às 21h. A classificação indicativa é livre. Por medida de segurança, recomenda-se reservar o ingresso antecipadamente pelo site oficial do CCBB.

O espaço conta com acessibilidade para pessoas com deficiência e oferece recursos como audiodescrição e libras em algumas sessões. Para grupos, é possível agendar visitas guiadas com educadores.

Perguntas frequentes

Onde está localizado o CCBB?
O CCBB possui unidades no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. A exposição ocorre em uma dessas unidades; consulte o site oficial para confirmar o endereço exato.

Quanto custa o ingresso?
A entrada é gratuita, mas é necessário retirar o ingresso antecipadamente pelo site ou aplicativo do CCBB.

Qual o período da exposição?
A mostra fica em cartaz por tempo limitado. As datas exatas podem ser consultadas no site do CCBB ou na programação cultural do banco.

Posso fotografar as obras?
Sim, é permitido fotografar para uso pessoal, sem uso de flash ou tripé.

Há visita guiada?
Sim, o CCBB oferece visitas mediadas gratuitas. É necessário agendamento prévio pelo site ou na recepção do centro cultural.

Qual a faixa etária recomendada?
A exposição é livre para todos os públicos. Crianças menores de 12 anos devem estar acompanhadas de um responsável.