Consultas médicas e internações caem de 2019 para 2023
O sistema de saúde brasileiro passou por transformações profundas nos últimos anos. Entre 2019 e 2023, o país registrou uma redução no número de consultas médicas e internações hospitalares, fenômeno que tem gerado debates entre especialistas. Neste artigo, exploramos as possíveis causas, os impactos regionais e as perspectivas para o futuro.
O que mostram os números?
Dados oficiais indicam que, no período entre 2019 e 2023, o volume de consultas médicas no Brasil caiu significativamente. Da mesma forma, as internações hospitalares apresentaram declínio, tanto em procedimentos eletivos quanto em urgências. Especialistas apontam que a pandemia de COVID-19 foi o principal fator desencadeador dessa tendência, mas não o único. A redução foi observada em todas as faixas etárias, com maior intensidade entre adultos e idosos.
Alguns estudos mostram que a procura por atendimento de rotina diminuiu, enquanto as consultas de emergência tiveram queda menos acentuada. No caso das internações, cirurgias eletivas foram adiadas, e muitas delas não foram retomadas integralmente. Apesar da recuperação parcial a partir de 2021, os indicadores ainda não voltaram aos patamares pré-pandêmicos.
O impacto da pandemia
Com a chegada da COVID-19 ao Brasil em 2020, houve uma paralisação temporária de atendimentos não emergenciais. Muitas pessoas evitaram hospitais com medo de contaminação, e os próprios serviços de saúde reduziram a oferta de consultas ambulatoriais para priorizar o combate ao coronavírus. Isso resultou em uma queda brusca nas consultas e internações. Embora os serviços tenham sido retomados gradualmente, os números não voltaram aos patamares de 2019.
Além disso, a pandemia acelerou mudanças no comportamento da população. O medo do contágio levou muitos pacientes a postergar exames de rotina e tratamentos, o que pode ter consequências para a saúde pública a longo prazo. A redução das internações por doenças respiratórias não relacionadas à COVID-19, por outro lado, indica que as medidas de prevenção — como uso de máscaras e distanciamento — também contribuíram para a queda.
Telemedicina e mudanças de comportamento
A telemedicina ganhou espaço durante a pandemia e se consolidou como alternativa para consultas de baixa complexidade. Regulamentada de forma emergencial no Brasil, a prática permitiu que médicos atendessem pacientes à distância, reduzindo a necessidade de deslocamento e exposição. Isso pode ter compensado parte da queda nas consultas presenciais, mas o número total de atendimentos (presenciais mais remotos) ainda ficou abaixo do registrado em 2019.
A transformação digital na saúde veio para ficar. Hoje, muitos planos de saúde e serviços públicos oferecem consultas por videochamada, especialmente para acompanhamento de doenças crônicas. Essa mudança de paradigma deve continuar influenciando os indicadores de atendimento nos próximos anos, com uma possível estabilização em um patamar mais baixo de consultas presenciais.
Internações em queda
As internações hospitalares também diminuíram no período analisado. Além da redução de cirurgias eletivas durante a pandemia, observou-se uma queda em internações por doenças respiratórias (exceto COVID-19) e outras condições que podem ter sido prevenidas por medidas de saúde pública. Melhorias na atenção primária, campanhas de vacinação e o maior uso de medicamentos preventivos podem ter contribuído para a redução de agravos que exigem hospitalização.
Entretanto, especialistas alertam que a diminuição das internações nem sempre é positiva. A postergação de procedimentos pode levar ao agravamento de quadros, aumentando a complexidade e os custos do tratamento no futuro. O equilíbrio entre a redução necessária e o cuidado adequado é um desafio para o sistema de saúde.
Desigualdades regionais
No Ceará, por exemplo, a queda nas consultas e internações acompanhou a tendência nacional, mas com particularidades. Regiões com menor infraestrutura de saúde sofreram mais com a redução da oferta de serviços. Municípios como Caucaia e Canindé enfrentaram dificuldades adicionais, mas a expansão da atenção básica e programas de saúde da família ajudaram a mitigar os efeitos. Em Fortaleza, a queda foi menos acentuada, refletindo a maior concentração de hospitais e profissionais.
As desigualdades regionais são um ponto de atenção. Enquanto regiões Sul e Sudeste apresentaram recuperação mais rápida, Norte e Nordeste ainda lutam para reestabelecer o acesso pleno aos serviços. A situação reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas, que levem em conta as realidades locais.
Perspectivas para 2024 e 2025
Especialistas projetam uma recuperação gradual dos indicadores, mas em novo patamar. A consolidação da telemedicina, o envelhecimento da população e os investimentos em tecnologia devem moldar o futuro dos atendimentos. A queda observada entre 2019 e 2023 não representa necessariamente uma piora na saúde da população, mas uma transformação no modelo de cuidado.
Para 2024 e 2025, espera-se que as consultas presenciais se estabilizem, enquanto a telemedicina continue crescendo. As internações devem se manter em níveis controlados, com foco em procedimentos de média e alta complexidade. O grande desafio será garantir que a redução não se traduza em falta de acesso ou em indicadores negativos de saúde pública.
Perguntas frequentes
Por que as consultas médicas diminuíram?
A redução está associada ao medo de contaminação durante a pandemia, à adoção da telemedicina e à reorganização dos serviços de saúde. Muitas pessoas deixaram de buscar atendimento presencial por receio ou por orientação dos profissionais.
As internações caíram em todas as regiões?
Sim, mas de forma desigual. Regiões com melhor infraestrutura de saúde tiveram queda menos acentuada. No Nordeste, a recuperação tem sido mais lenta, especialmente em áreas rurais.
A telemedicina continuará sendo usada?
Sim, a tendência é que a telemedicina se mantenha como opção complementar, especialmente para consultas de rotina e acompanhamento de doenças crônicas. A regulamentação permanente da prática está em discussão no Congresso.
Os números devem voltar aos níveis de 2019?
Provavelmente não nos mesmos moldes, pois o sistema está se adaptando a novas formas de atendimento. O esperado é uma estabilização em patamares mais baixos de consultas presenciais, mas com maior eficiência e alcance.
