Economia

Contas públicas têm déficit de R$ 7,3 bilhões em setembro

Por Redação | 15 de outubro de 2024

As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 7,3 bilhões em setembro, de acordo com dados oficiais divulgados nesta semana. O resultado reflete o desempenho das receitas e despesas dos governos federal, estaduais e municipais no período.

O que é o déficit primário?

O déficit primário ocorre quando as despesas totais do governo superam as receitas, excluindo os gastos com juros da dívida pública. Esse indicador é amplamente acompanhado por economistas e agentes financeiros, pois revela a capacidade do setor público de financiar suas atividades sem recorrer a novo endividamento. Em setembro, o rombo de R$ 7,3 bilhões nas contas públicas acende um sinal de alerta sobre a trajetória fiscal do país, embora o resultado esteja dentro do esperado para o mês.

Resultado por esfera de governo

O déficit de setembro foi puxado principalmente pelo Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central), que registrou saldo negativo. Já os governos estaduais e municipais, juntos, apresentaram superávit no mês, ajudando a conter o rombo consolidado. As empresas estatais também contribuíram positivamente, ainda que com valores menores. Esse padrão é recorrente ao longo do ano, com o Governo Central concentrando a maior parte do déficit.

Receitas e despesas em destaque

Pelo lado das receitas, a arrecadação federal manteve trajetória de crescimento real na comparação com setembro do ano anterior, impulsionada pelo desempenho da economia, pelo mercado de trabalho aquecido e pela formalização de trabalhadores. No entanto, as despesas obrigatórias — como benefícios previdenciários, assistenciais (Bolsa Família) e gastos com pessoal — continuaram a crescer em ritmo superior ao das receitas, comprimindo o espaço fiscal. As despesas discricionárias (investimentos e custeio) também contribuíram para o resultado, embora em menor escala.

Contexto econômico e fiscal

O resultado das contas públicas de setembro ocorre em um ambiente de juros elevados, inflação em desaceleração e crescimento moderado do PIB. O governo tem se empenhado em cumprir as regras do novo arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da receita corrente. No entanto, as despesas obrigatórias, que representam mais de 90% do orçamento federal, continuam a crescer acima da inflação, pressionando o espaço para investimentos e outros gastos discricionários. A rigidez orçamentária é apontada por especialistas como um dos principais desafios para a sustentabilidade fiscal.

Meta fiscal e perspectivas

Para 2024, o governo estabeleceu como meta um déficit primário zero, com margem de tolerância de 0,25% do PIB para cada lado. Até setembro, o déficit acumulado situava-se dentro do limite inferior da meta, mas o cumprimento dependerá do desempenho dos últimos meses do ano. A equipe econômica já anunciou medidas de contingenciamento e revisão de gastos para equilibrar as contas, incluindo o bloqueio de dotações orçamentárias e a revisão de benefícios fiscais. A aprovação de reformas estruturais, como a administrativa e a tributária, é vista como essencial para uma trajetória fiscal sustentável no médio e longo prazo.

Impactos para o cidadão

O resultado das contas públicas afeta diretamente a vida dos brasileiros. Um déficit elevado pode levar ao aumento da dívida pública, pressionando os juros e a inflação. Por outro lado, um ajuste fiscal bem-sucedido pode abrir espaço para a redução da taxa básica de juros, estimulando o crédito e o investimento. Acompanhar a evolução do déficit é importante para entender as decisões do governo e as perspectivas econômicas do país.

Perguntas frequentes sobre o déficit público

O que é déficit primário?

É a diferença entre as receitas e as despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida. Se as despesas superam as receitas, há déficit primário; caso contrário, superávit primário.

Qual a diferença entre déficit primário e nominal?

O déficit nominal inclui os juros da dívida. Normalmente, o déficit nominal é maior, pois o Brasil possui uma dívida pública significativa. O déficit primário é um indicador mais fiel do esforço fiscal do governo.

O déficit de R$ 7,3 bilhões em setembro é considerado alto?

O valor deve ser analisado em relação ao PIB e ao comportamento histórico. Em setembro, o resultado ficou dentro das projeções do mercado financeiro, mas o acumulado do ano ainda requer atenção, especialmente se a tendência de crescimento das despesas obrigatórias não for revertida.

O que o governo pode fazer para reduzir o déficit?

As principais medidas incluem o aumento da arrecadação (por meio de crescimento econômico, revisão de benefícios fiscais e combate à sonegação) e o controle das despesas (contingenciamento, revisão de gastos e reformas estruturais). O novo arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece regras para o crescimento das despesas, mas sua eficácia depende da execução orçamentária.

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