Política

CPI da ALERJ dos planos de saúde vai convocar representantes da Unimed

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) para investigar as operadoras de planos de saúde no estado dará um novo passo nas próximas semanas. Representantes da Unimed, uma das maiores cooperativas de saúde do país, serão convocados a prestar esclarecimentos sobre denúncias de irregularidades na prestação de serviços, reajustes abusivos e negativa de cobertura. A expectativa é que as oitivas ocorram ainda neste mês, em sessões transmitidas ao vivo.

O que motivou a CPI?

A CPI foi criada após sucessivas reclamações de consumidores e entidades de defesa do consumidor contra operadoras de saúde suplementar. Relatos de aumentos anuais muito acima da inflação, cancelamento unilateral de contratos e dificuldade de acesso a exames e cirurgias motivaram os deputados estaduais a aprovarem o requerimento de investigação. O presidente da comissão, deputado estadual, afirmou que o objetivo é “dar transparência ao setor e garantir que os direitos dos usuários sejam respeitados”.

Unimed no centro das atenções

A Unimed, que atua como cooperativa de trabalho médico, é uma das operadoras com maior número de beneficiários no Rio de Janeiro. A convocação de seus representantes se deve a uma série de denúncias que chegaram à comissão, entre elas:

  • Reajustes abusivos em contratos coletivos, com percentuais muito acima da variação de custos médicos-hospitalares;
  • Negativa de cobertura para procedimentos previstos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
  • Cancelamento unilateral de planos individuais e familiares, prática considerada ilegal pela ANS;
  • Redução da rede credenciada, com hospitais e laboratórios descredenciados sem aviso prévio.

Em nota, a Unimed informou que “está à disposição para prestar todos os esclarecimentos e confia na lisura do processo”. A CPI também pretende analisar contratos e balanços financeiros da operadora nos últimos cinco anos.

Cenário nacional dos planos de saúde

O setor de saúde suplementar no Brasil enfrenta uma crise de confiança. Dados da ANS mostram que as reclamações contra operadoras cresceram 35% nos últimos dois anos, com destaque para negativas de cobertura e reajustes por faixa etária. A CPI da ALERJ se insere em um movimento maior de fiscalização: comissões semelhantes foram instaladas em outros estados, como São Paulo e Minas Gerais. Especialistas apontam que a falta de regulação mais rígida sobre os reajustes e o desequilíbrio na relação entre operadoras e prestadores são as principais causas dos problemas.

Próximos passos da comissão

Além da Unimed, a CPI deve convocar representantes de Amil, Bradesco Saúde, SulAmérica e NotreDame Intermédica. As oitivas estão previstas para as próximas sessões ordinárias. A comissão tem prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60, para concluir os trabalhos. Ao final, será produzido um relatório circunstanciado com propostas de aprimoramento legislativo e, se houver indícios de crime, o documento será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Como o consumidor pode se proteger?

Enquanto a CPI não chega a conclusões, os usuários de planos de saúde podem adotar algumas medidas:

  • Registrar reclamações na ANS (pelo site ou telefone 0800) sempre que houver negativa abusiva ou reajuste questionável;
  • Procurar o Procon estadual ou municipal para mediação de conflitos;
  • Enviar denúncias diretamente à CPI pelos canais oficiais da ALERJ;
  • Manter a documentação de contratos e comunicados das operadoras organizada.

A expectativa é que a CPI ajude a fortalecer a regulação e a coibir práticas abusivas, beneficiando milhões de consumidores no estado.

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Perguntas frequentes (FAQ)

O que é uma CPI?

É uma comissão temporária criada pelo Poder Legislativo para investigar fatos determinados. Tem poderes de investigação próprios, como convocar testemunhas, requisitar documentos e quebrar sigilos, mas não pode condenar.

Quem pode ser convocado?

Qualquer pessoa física ou jurídica com relação com o objeto da investigação pode ser convocada. O não comparecimento sem justificativa pode configurar crime de desobediência.

Os consumidores podem enviar denúncias?

Sim. A CPI pode receber denúncias de cidadãos e entidades. Basta encaminhar por escrito pelos canais da ALERJ ou durante audiências públicas.

Qual a diferença entre CPI e ação na Justiça?

A CPI não julga nem aplica penalidades. Ela produz um relatório com conclusões e sugestões. Já a ação judicial pode resultar em condenação cível ou criminal.

Quanto tempo dura uma CPI?

Geralmente 120 dias, prorrogáveis. O prazo é definido no ato de criação.

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