Déficit primário em junho é de R$ 40,9 bi e fica em 2,44% do PIB
O Governo Central – que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registrou um déficit primário de R$ 40,9 bilhões em junho de 2024. O valor equivale a 2,44% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês, segundo dados do Relatório de Resultados do Tesouro Nacional divulgado nesta semana.
O resultado negativo acentuou o déficit acumulado no primeiro semestre e acendeu um alerta sobre o cumprimento da meta fiscal estabelecida para o ano. O governo federal tem como objetivo um déficit zero em 2024, mas os números recentes mostram um cenário desafiador.
O que é déficit primário?
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas, sem considerar os gastos com juros da dívida pública. Em outras palavras, é a diferença entre o que o governo arrecada (impostos, contribuições e outras receitas) e o que gasta (salários, benefícios previdenciários, investimentos, custeio da máquina pública).
Quando o resultado primário é positivo, há superávit, indicando que o governo está gerando economia para pagar juros e reduzir a dívida. Quando é negativo, como no caso de junho, o governo precisa emitir mais títulos de dívida ou aumentar a carga tributária para cobrir o rombo.
Resultado de junho em detalhes
Em junho, a arrecadação federal ficou abaixo das expectativas, enquanto as despesas obrigatórias – como Previdência Social e pessoal – continuaram a crescer, gerando um déficit primário de R$ 40,9 bilhões. O governo vinha tentando conter gastos, mas as despesas sazonais e os reajustes de benefícios pressionaram as contas.
O déficit primário de junho representa 2,44% do PIB mensal, uma proporção elevada que sinaliza dificuldade de ajuste fiscal no curto prazo.
Déficit acumulado e meta fiscal
Com o resultado de junho, o déficit primário acumulado no primeiro semestre de 2024 atingiu patamar elevado, distanciando-se da meta de déficit zero estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O governo havia anunciado contingenciamento de gastos no início do ano, mas as despesas obrigatórias continuaram a crescer acima da inflação.
A meta fiscal para 2024 permite um déficit de até 0,5% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual. No entanto, as projeções do mercado, compiladas no Relatório Focus, indicam um déficit entre 0,8% e 1,0% do PIB, bem acima do alvo.
Impactos na economia
O déficit primário elevado pressiona a dívida pública e aumenta o risco fiscal. Investidores passam a exigir prêmios maiores para comprar títulos brasileiros, elevando as taxas de juros de longo prazo. Com juros mais altos, o crédito fica mais caro para empresas e consumidores, desestimulando investimentos e consumo.
A percepção de risco fiscal também pode impactar a taxa de câmbio e a inflação, complicando o cenário econômico. O mercado financeiro monitora de perto os indicadores fiscais para ajustar suas projeções de crescimento e juros.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, a equipe econômica anunciou medidas de contingenciamento de gastos e revisão de subsídios. O Ministério da Fazenda planeja bloquear despesas discricionárias e pode elevar a arrecadação com a aprovação de projetos como a tributação de offshores e fundos exclusivos.
O novo arcabouço fiscal limita o crescimento dos gastos a 70% da variação da receita, mas sua eficácia depende do controle de despesas obrigatórias. As reformas administrativa e tributária são consideradas essenciais para um ajuste duradouro, mas tramitam lentamente no Congresso.
Perguntas frequentes sobre o déficit primário
1. O que é déficit primário?
É a diferença negativa entre receitas e despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida. Indica que o governo está gastando mais do que arrecada.
2. Qual a diferença entre déficit primário e nominal?
O déficit nominal inclui os gastos com juros da dívida. O déficit primário é mais usado para avaliar o esforço fiscal do governo, pois desconsidera o efeito da taxa de juros.
3. Como o déficit primário afeta a população?
Um déficit elevado pode levar a aumento de impostos, corte de investimentos públicos e elevação dos juros, encarecendo o crédito e reduzindo o crescimento econômico.
4. O governo pode zerar o déficit em 2024?
A meta oficial é déficit zero, mas os resultados até junho indicam dificuldade. O mercado projeta déficit entre 0,8% e 1,0% do PIB. Medidas adicionais de ajuste serão necessárias.
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