Educação

Depois de luz, fornecimento de água também é interrompido na UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das maiores instituições de ensino superior do país, enfrenta mais um grave revés em sua infraestrutura. Após sucessivos cortes no fornecimento de energia elétrica nos últimos meses, o abastecimento de água também foi interrompido nos campi da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio. A situação agrava a já delicada rotina de alunos, professores e servidores, comprometendo aulas práticas, pesquisas de laboratório e até mesmo o funcionamento básico dos edifícios.

O colapso energético e suas consequências

A UFRJ vinha registrando quedas de energia frequentes desde o início do ano, atribuídas pela concessionária Light a problemas na rede elétrica que alimenta a região. Os blecautes danificaram equipamentos, forçaram a suspensão de atividades e geraram protestos da comunidade acadêmica. No entanto, o corte de água agravou o cenário: sem eletricidade, as bombas de recalque dos reservatórios e os sistemas de distribuição interna pararam de funcionar, deixando torneiras secas em vários prédios.

De acordo com a Superintendência de Infraestrutura da universidade, a falta de água atinge principalmente os andares mais altos dos edifícios, onde a pressão é insuficiente para vencer a gravidade. Laboratórios que necessitam de água para refrigeração de equipamentos ou para experimentos químicos tiveram que interromper suas atividades. Setores como o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho adotaram medidas emergenciais, como o uso de caminhões-pipa, para manter serviços essenciais.

Impacto direto na comunidade acadêmica

Estudantes de graduação e pós-graduação relatam dificuldades para realizar tarefas básicas. “Não conseguimos usar os banheiros, bebedouros estão vazios, e os restaurantes universitários estão operando com capacidade reduzida”, conta um aluno do Instituto de Química. A suspensão de aulas práticas de laboratório preocupa coordenadores de curso, que temem atrasos no calendário letivo. “Disciplinas experimentais dependem de água para preparo de soluções, lavagem de vidraria e segurança contra incêndios. Sem água, não há como realizar as atividades”, explica uma professora do Instituto de Física.

Pesquisadores também foram afetados. Projetos de longa duração, que dependem de climatização e sistemas de refrigeração a água, tiveram que ser pausados. “Perdemos amostras biológicas porque os freezers não conseguem manter a temperatura estável sem o suporte do sistema de resfriamento a água”, lamenta um doutorando do Instituto de Bioquímica Médica.

Medidas emergenciais e cobranças por soluções definitivas

A reitoria da UFRJ informou que está em contato com a Light e com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) para restabelecer o mais rápido possível os serviços. Enquanto isso, caminhões-pipa foram contratados para abastecer os reservatórios, e geradores foram instalados para acionar as bombas de água nos prédios mais críticos. No entanto, a comunidade acadêmica considera as medidas paliativas insuficientes. “A situação se repete há anos. Precisamos de um plano de contingência robusto e investimentos em infraestrutura própria, como cisternas maiores e sistemas de energia solar para bombas”, defende o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da UFRJ.

Uma assembleia estudantil marcou um ato para a próxima semana em frente à reitoria, cobrando transparência e ações concretas. Entre as reivindicações estão a criação de um comitê de crise com participação de todos os segmentos e a realização de uma auditoria independente na rede elétrica do campus.

Crise recorrente expõe fragilidade estrutural

A interrupção simultânea de luz e água não é um fato isolado. Nos últimos dois anos, a UFRJ já havia decretado ponto facultativo e suspensão de atividades em diversas ocasiões por causa de falhas no fornecimento. Especialistas apontam que a universidade sofre com o subfinanciamento federal e a falta de manutenção preventiva. “As instalações elétricas e hidráulicas do campus foram projetadas para uma capacidade que já foi ultrapassada. Sem investimentos adequados, os colapsos se tornarão cada vez mais frequentes”, analisa um engenheiro civil consultado pela reportagem.

A situação também reacende o debate sobre o modelo de concessão da Light e a qualidade dos serviços prestados à população do Rio de Janeiro. A concessionária alega que realiza obras de modernização na rede de alta tensão, mas reconhece que a demanda na região da Ilha do Fundão cresceu acima do previsto.

Alternativas e caminhos para a recuperação

A UFRJ possui um plano diretor de infraestrutura que prevê a construção de uma subestação própria e a ampliação dos sistemas de captação de água pluvial e reuso. No entanto, os recursos necessários ainda não foram integralmente alocados no orçamento da universidade. Enquanto isso, grupos de pesquisa desenvolvem soluções de baixo custo, como sensores para monitoramento remoto do nível dos reservatórios e bombas eficientes acionadas por painéis solares. “A crise pode ser uma oportunidade para repensarmos a gestão dos recursos hídricos e energéticos de forma mais sustentável”, avalia uma professora do Programa de Engenharia Ambiental.

Perguntas frequentes sobre a crise na UFRJ

Por que a falta de luz afeta o abastecimento de água?

A distribuição de água nos prédios depende de bombas elétricas que pressionam a água para os andares superiores. Sem energia, essas bombas não funcionam, interrompendo o fluxo.

O que a universidade está fazendo para resolver?

A administração contratou caminhões-pipa e instalou geradores emergenciais para bombear água nos pontos mais críticos. Também pressiona a concessionária para restabelecer a energia de forma estável.

Quando a situação deve normalizar?

Não há data oficial. A previsão depende da regularização do fornecimento de energia pela Light e da conclusão dos reparos nas bombas e reservatórios danificados.

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