Deputado Glauber Braga é detido durante desocupação da Uerj
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi detido na manhã desta quarta-feira durante a operação de desocupação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), campus Maracanã. O parlamentar acompanhava estudantes que ocupavam o prédio administrativo em protesto contra os cortes de verbas para a educação pública e a falta de diálogo com o governo estadual. A ação policial, autorizada pela Justiça, ocorreu após semanas de negociações frustradas entre a reitoria e os manifestantes.
Contexto da ocupação na Uerj
A ocupação da Uerj teve início há cerca de duas semanas, quando estudantes de diversos cursos decidiram ocupar o prédio da reitoria como forma de pressionar o governo do estado a reajustar o orçamento da universidade. Os alunos denunciam sucateamento da infraestrutura, atraso no pagamento de bolsas, falta de investimento em pesquisa e extensão e a precarização das condições de ensino.
Durante o período de ocupação, foram realizadas assembleias e atos públicos em solidariedade ao movimento. A reitoria tentou mediar o diálogo, mas os estudantes recusaram a proposta de desocupação voluntária sem garantias formais de recomposição orçamentária. Diante do impasse, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma liminar de reintegração de posse, determinando a desocupação imediata. A Polícia Militar foi acionada para cumprir a ordem na manhã de hoje.
Quem é Glauber Braga
Glauber Braga é deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, conhecido nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos, da educação pública e de causas sociais. Em seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados, já ocupou o cargo de líder do partido e integra comissões importantes, como a Comissão de Educação e a Comissão de Direitos Humanos. Sua presença na Uerj é vista como apoio direto aos estudantes e ao movimento em defesa da universidade pública, bandeira que sempre defendeu ao longo de sua carreira política.
Como ocorreu a detenção
De acordo com relatos de testemunhas, Glauber Braga chegou ao campus ainda pela manhã e conversou com os manifestantes, tentando estabelecer um canal de negociação com as autoridades. Quando os policiais iniciaram a aproximação para retirar os ocupantes, o deputado se posicionou à frente do grupo, pedindo calma e solicitando que a abordagem fosse feita de forma pacífica. Em determinado momento, um dos oficiais ordenou que ele se afastasse, mas o parlamentar teria insistido em permanecer no local para garantir a integridade dos estudantes.
Ele foi então detido sob acusações de desobediência e resistência. O deputado foi conduzido à delegacia da região, onde prestou depoimento. Imagens gravadas por apoiadores mostram o momento em que ele é levado pelos policiais, sem uso de força excessiva, mas em meio a tensão. A assessoria do parlamentar informou que ele colaborou com as autoridades e aguardou a chegada de advogados.
Repercussão política
A detenção de Glauber Braga gerou rápida e ampla repercussão entre parlamentares, movimentos sociais e entidades estudantis. Lideranças do PSOL e de outros partidos de esquerda divulgaram notas de repúdio, classificando a ação como arbitrária e de caráter político. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou a detenção, afirmando que se trata de um atentado à democracia e à liberdade de expressão. O PSOL nacional anunciou que acionará a Procuradoria da República para investigar a legalidade do ato.
Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação dos Docentes da Uerj também se manifestaram, cobrando a libertação imediata do deputado e o fim da violência policial contra manifestantes pacíficos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional Rio informou que acompanha o caso. Até o final da manhã, parlamentares de diferentes partidos se dirigiam à delegacia para prestar solidariedade.
Situação jurídica
Após prestar depoimento, Glauber Braga foi liberado, mas deverá responder a um termo circunstanciado ou a um inquérito por desobediência e resistência. A defesa do deputado informou que vai contestar a legalidade da detenção, argumentando que ele estava no exercício de seu mandato e que a prisão foi desproporcional. Cabe destacar que, segundo a legislação brasileira, parlamentares gozam de imunidade material, mas podem ser presos em flagrante por crime inafiançável. A defesa sustenta que não houve flagrante legítimo.
Ainda não há informações sobre eventual processo criminal, mas o caso deve ser acompanhado pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a situação pode gerar um debate sobre os limites da atuação policial em manifestações e a proteção de parlamentares no exercício da atividade política.
Perguntas frequentes
- Por que Glauber Braga foi detido? Ele foi detido por desobediência e resistência durante a operação de desocupação da Uerj, por ter se recusado a sair do local e tentado impedir a ação policial.
- Ele continua preso? Não. Após prestar depoimento na delegacia, ele foi liberado e responderá em liberdade.
- O que diz a assessoria do deputado? A assessoria do parlamentar afirmou que a detenção foi arbitrária e que serão tomadas as medidas judiciais cabíveis.
- A desocupação da Uerj foi concluída? Sim, a operação foi concluída ainda pela manhã, após a detenção do deputado e a retirada dos demais ocupantes.
- Os estudantes também foram detidos? Não há informações oficiais sobre detenções de estudantes; a maioria deixou o local pacificamente após a chegada da polícia.
- Qual a reação do governo do estado? O governo do estado ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
