Economia

Dólar tem quarta alta seguida e ultrapassa R$ 5,60

Por Redação do Jurema em Foco | 15 de Janeiro de 2025

O dólar comercial fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo, superando a barreira psicológica dos R$ 5,60. O movimento reflete um cenário externo desafiador, com o fortalecimento da moeda americana no mercado global, combinado com a percepção de risco fiscal no Brasil e a aversão a ativos de países emergentes.

Contexto da alta do dólar

A cotação da moeda norte-americana vem registrando uma trajetória de alta consistente nos últimos dias. O dólar comercial encerrou esta quarta-feira cotado a R$ 5,62, uma valorização de mais de 2% na semana. Trata-se do maior patamar desde o período mais agudo da pandemia de Covid-19, quando a moeda chegou a bater recordes históricos.

A sequência de altas acendeu o sinal de alerta no mercado financeiro e no governo. O Banco Central do Brasil (BC) já realizou leilões de venda de dólares no mercado à vista para tentar conter a volatilidade, mas a pressão compradora continua forte, indicando que o problema não é pontual, mas estrutural.

Fatores que explicam a valorização da moeda

Cenário Internacional

O principal vetor da alta global do dólar é a resiliência da economia americana. Dados recentes de emprego e inflação nos Estados Unidos indicam que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve manter os juros básicos em níveis elevados por mais tempo do que o esperado. Juros altos nos EUA atraem capital estrangeiro para os títulos do Tesouro americano, considerados os ativos mais seguros do mundo, reduzindo o fluxo de recursos para economias emergentes como o Brasil.

Além disso, tensões geopolíticas, como os conflitos no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia, reforçam a busca por segurança (flight to quality), beneficiando o dólar e prejudicando moedas de maior risco, como o real.

Cenário Fiscal Brasileiro

No front doméstico, a percepção de risco fiscal é o principal motor da desvalorização cambial. O mercado financeiro monitora de perto as discussões sobre o Orçamento de 2025 e a capacidade do governo de cumprir o arcabouço fiscal. A incerteza em relação à aprovação de medidas de ajuste das contas públicas e as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública brasileira aumentam o prêmio de risco exigido pelos investidores para aplicar no país.

A recente decisão do governo de liberar emendas parlamentares e a dificuldade em aprovar medidas de aumento de receita geraram desconfiança no mercado. Especialistas apontam que, sem um sinal claro de compromisso com a responsabilidade fiscal, a tendência é de que o real continue sofrendo pressão.

Impactos na economia real e no bolso do brasileiro

  • Inflação: A alta do dólar pressiona a inflação de forma generalizada. Produtos importados, como eletrônicos, medicamentos e insumos industriais, ficam mais caros. Os combustíveis, que seguem a paridade internacional (PPI), também tendem a subir, impactando diretamente o custo de transporte e logística.
  • Juros: Para conter o repasse cambial para a inflação, o Banco Central pode ser forçado a elevar a taxa Selic. Isso encarece o crédito, reduz o consumo e desacelera a economia, afetando especialmente os setores de comércio e serviços.
  • Divida das empresas: Companhias com dívidas atreladas ao dólar ou que dependem de insumos importados veem seus custos financeiros e operacionais aumentarem, comprometendo margens de lucro e investimentos.
  • Viagens internacionais: Para quem planeja viajar para o exterior, o câmbio desfavorável reduz o poder de compra e torna a viagem significativamente mais cara.

O que esperar para os próximos dias?

A trajetória do dólar nos próximos dias continuará sendo ditada pelo cenário fiscal interno e pelos sinais do Fed no cenário externo. O mercado estará atento às falas de diretores do Banco Central, aos leilões de câmbio e às votações no Congresso Nacional relacionadas ao Orçamento.

Caso o governo consiga avançar com medidas de ajuste fiscal e sinalizar credibilidade, é possível que parte da pressão cambial se dissipe. No entanto, enquanto o cenário externo permanecer adverso, com o dólar forte globalmente, a tendência é de que o real continue volátil e sujeito a novos períodos de estresse.

Perguntas Frequentes sobre a alta do dólar

Dólar a R$ 5,60 é caro?

Sim. É um patamar historicamente elevado, superando as médias dos últimos anos. O nível atual só é comparável a momentos de extrema turbulência, como a pandemia e crises políticas agudas. É um sinal claro de que o mercado está precificando um alto risco-país.

O governo pode intervir para segurar o dólar?

Sim. O Banco Central pode atuar no mercado de câmbio vendendo dólares das reservas internacionais ou oferecendo contratos de swap cambial (equivalentes a venda futura de dólar). Essas medidas podem conter a alta no curto prazo, mas não resolvem as causas estruturais da desvalorização. A principal ferramenta de médio e longo prazo é a credibilidade da política fiscal.

O que significa um dólar alto para as exportações?

Um dólar mais alto é benéfico para os exportadores brasileiros, que recebem em moeda forte e têm custos em reais. Isso torna os produtos brasileiros mais competitivos lá fora, beneficiando setores como agronegócio, mineração e manufatura. O problema é o efeito colateral sobre a inflação e o consumo interno.

Vale a pena comprar dólar agora como investimento?

A compra de dólar pode ser uma forma de proteção patrimonial (hedge) contra a desvalorização do real, especialmente em momentos de incerteza. No entanto, a moeda é um ativo de alta volatilidade e não rende juros. A decisão deve fazer parte de uma estratégia de diversificação de investimentos, de preferência com o auxílio de um profissional de finanças.

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