Economia cresce 0,9% no terceiro trimestre de 2024, diz IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou crescimento de 0,9% no terceiro trimestre de 2024, em comparação com o trimestre anterior. O resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava estabilidade ou ligeira alta. O dado reforça a percepção de que a economia brasileira mantém trajetória de recuperação gradual.

Contexto macroeconômico do período

O terceiro trimestre de 2024 foi marcado por um ambiente de inflação controlada – o IPCA se manteve dentro da meta – e pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 10,50% ao ano. Apesar dos juros ainda elevados, o mercado de trabalho continuou em recuperação, com queda do desemprego e aumento da massa salarial. Esse cenário favoreceu o consumo das famílias, principal componente do PIB pela ótica da demanda.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram no trimestre, impulsionados pela construção civil e pelo setor de serviços. A confiança do consumidor e do empresário apresentou melhora, refletindo a percepção de estabilidade econômica e política.

Desempenho por setores produtivos

Pela ótica da oferta, o resultado do PIB foi puxado principalmente pelo setor de serviços, que responde pela maior parte da economia brasileira. O segmento de serviços apresentou crescimento robusto, com destaque para comércio, transportes, tecnologia da informação e atividades financeiras.

A indústria também registrou avanço, embora mais moderado, com contribuição positiva da construção civil e da indústria de transformação. Já a agropecuária enfrentou condições climáticas adversas em algumas regiões do país, o que resultou em queda na produção e impacto negativo no PIB do trimestre.

  • Serviços: principal motor do crescimento, impulsionado pelo comércio e tecnologia.
  • Indústria: avanço moderado, com destaque para construção civil.
  • Agropecuária: recuo devido a problemas climáticos.

Consumo e investimento como motores da demanda

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu de forma expressiva, beneficiado pelo aumento da renda disponível, pela redução do desemprego e pelo crédito ainda acessível. Os gastos do governo também subiram, puxados por despesas nas áreas de saúde, educação e assistência social.

As exportações de bens e serviços registraram aumento, impulsionadas pela demanda externa por produtos agrícolas e minerais. As importações igualmente cresceram, sinalizando que a retomada da atividade interna eleva a compra de insumos e equipamentos.

Mercado de trabalho e renda

O crescimento econômico veio acompanhado de melhora significativa no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para o menor nível desde 2015, e a massa de rendimentos dos ocupados apresentou alta. O número de trabalhadores com carteira assinada aumentou, especialmente nos setores de comércio e serviços, que se beneficiam diretamente do consumo das famílias.

Perspectivas para os próximos meses

Embora o resultado do terceiro trimestre tenha sido positivo, as projeções para o quarto trimestre apontam possível desaceleração. O cenário internacional permanece incerto, com desaceleração da economia chinesa e efeitos de juros elevados nos Estados Unidos. No Brasil, o debate sobre o arcabouço fiscal e o controle dos gastos públicos gera cautela entre investidores e consumidores.

Apesar das incertezas, a continuidade do crescimento do mercado de trabalho, a inflação controlada e o aumento da confiança devem sustentar o consumo. Os analistas consultados pelo boletim Focus projetam crescimento do PIB entre 3% e 3,5% para 2024 como um todo, o que, se confirmado, representará a maior expansão dos últimos anos.

Perguntas frequentes sobre o PIB e o crescimento da economia

O que é o PIB?

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país durante um determinado período. É o principal indicador do tamanho e da saúde da economia.

Como o IBGE calcula o PIB?

O IBGE calcula o PIB trimestralmente, considerando três óticas: oferta (setores: agropecuária, indústria, serviços), demanda (consumo, investimento, gastos do governo e setor externo) e renda. Os dados são ajustados sazonalmente para permitir comparações entre trimestres consecutivos.

O que significa um crescimento de 0,9% no trimestre?

Significa que o PIB do terceiro trimestre de 2024 foi 0,9% maior que o do segundo trimestre de 2024, já descontados os efeitos sazonais. É considerado um ritmo moderado de crescimento, compatível com uma economia em recuperação gradual.

Esse crescimento ajuda a reduzir o desemprego?

Sim. O crescimento econômico gera aumento da produção e, consequentemente, maior demanda por mão de obra. Os dados do trimestre mostram queda da taxa de desemprego, confirmando essa relação.

Quais são os riscos para o crescimento nos próximos trimestres?

Os principais riscos incluem a desaceleração da economia global, a persistência de juros elevados, incertezas fiscais domésticas e possíveis choques climáticos. A manutenção da disciplina fiscal e o controle da inflação são fatores que podem mitigar esses riscos.

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