Eleições municipais deste ano terão número menor de candidatos

As eleições municipais de 2024 apresentam uma redução expressiva no número de candidatos registrados em comparação com pleitos anteriores. Especialistas apontam as reformas eleitorais e o endurecimento das regras de fidelidade partidária e cotas como principais fatores para essa queda. Neste artigo, analisamos as causas, os impactos e as perspectivas para o processo eleitoral.

Cenário das eleições municipais de 2024

Neste ano, os brasileiros voltam às urnas para escolher prefeitos e vereadores em mais de 5.500 municípios. Dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o número de candidaturas registradas é visivelmente inferior ao de 2020. A queda é observada tanto nas disputas majoritárias quanto nas proporcionais, com destaque para as regiões Sudeste e Nordeste.

A redução não é uniforme: cidades médias e grandes registraram as maiores quedas, enquanto municípios menores mantiveram um número mais estável de postulantes. O fenômeno acendeu o debate entre analistas políticos sobre os efeitos das mudanças legislativas dos últimos anos.

As causas da redução

A reforma eleitoral de 2021 (Lei nº 14.192) trouxe alterações significativas no processo de registro de candidaturas. Entre os principais pontos estão:

  • Cláusula de barreira mais rigorosa: partidos que não atingirem um mínimo de votos podem ter acesso restrito a recursos e tempo de propaganda.
  • Fidelidade partidária e quarentena: candidatos precisam estar filiados a seus partidos por um prazo mínimo antes do pleito, e detentores de cargos executivos devem se desincompatibilizar com mais antecedência.
  • Regras de cotas de gênero e raça: a exigência de comprovação documental para candidaturas de mulheres e negros inibiu a prática de candidaturas fictícias (as chamadas "laranjas"), reduzindo o número total de registros.
  • Atuação do Ministério Público Eleitoral: a fiscalização mais rigorosa resultou em maior número de impugnações e indeferimentos de registros.

Essas medidas, somadas à proibição de coligações para vereador (em vigor desde 2020), forçaram os partidos a serem mais seletivos no lançamento de candidaturas.

Impacto na representatividade

A redução no número de candidatos gera efeitos controversos. Por um lado, pode concentrar votos em candidatos mais competitivos, reduzir o custo das campanhas e encurtar o tempo de propaganda eleitoral. Por outro, há o risco de diminuir a diversidade de opções para o eleitor, especialmente em segmentos sub-representados como mulheres, negros e jovens.

Organizações da sociedade civil alertam que a queda mais acentuada entre candidaturas femininas e de pessoas negras pode comprometer avanços na representatividade política, embora as cotas legais continuem a exigir um percentual mínimo de 30% para cada gênero.

Reação dos partidos e estratégias

As legendas partidárias tiveram que se adaptar rapidamente ao novo cenário. Muitas optaram por lançar candidaturas mais enxutas, focando em nomes com potencial real de votos. As federações partidárias, permitidas a partir de 2021, surgiram como alternativa às extintas coligações proporcionais, agregando siglas em torno de projetos comuns.

Dirigentes partidários afirmam que a qualidade das candidaturas melhorou, já que o processo de registro passou a exigir maior comprometimento e documentação. Porém, reclamam da burocracia adicional e do aumento dos custos com assessoria jurídica.

Perspectivas para o dia da votação

Com menos candidatos na urna, a expectativa é de um pleito mais organizado e com menos impugnações. A Justiça Eleitoral espera que o eleitor tenha mais clareza na escolha, com debates mais focados e menos dispersão de votos. Contudo, a campanha será mais curta e as propostas precisarão ser apresentadas de forma ainda mais direta.

Caberá ao eleitor pesquisar com atenção o histórico e os planos de cada candidato, aproveitando a redução do número de opções para fazer uma escolha mais consciente.

Perguntas frequentes

Por que o número de candidatos caiu tanto nas eleições municipais?

A principal causa foi a reforma eleitoral de 2021, que endureceu as regras para registro de candidaturas, aliada à fiscalização mais rigorosa da Justiça Eleitoral e à exigência de comprovação das cotas de gênero e raça.

Essa redução é benéfica para a democracia?

Há divergências. Defensores apontam que a medida qualifica o pleito e reduz o custo das campanhas. Críticos alertam que a diversidade de candidaturas diminui, podendo prejudicar a representatividade de grupos minoritários.

Como fica a participação feminina com as novas regras?

A cota de gênero de no mínimo 30% continua valendo, mas a redução geral também afetou o número de mulheres candidatas, embora em proporção menor do que entre os homens. A tendência é que as candidaturas femininas sejam mais competitivas.

O que muda para o eleitor no dia da votação?

O eleitor encontrará menos nomes na urna, o que pode facilitar a decisão. No entanto, é essencial conhecer bem os candidatos disponíveis e suas propostas, já que a oferta será mais enxuta.