Em evento do Manto Sagrado, tupinambás pedem a Lula demarcações de terras

Lideranças do povo Tupinambá aproveitaram a cerimônia de celebração do Manto Sagrado, realizada no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, para cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a demarcação das terras tradicionais da etnia. O encontro reforçou a luta histórica dos tupinambás pelo reconhecimento territorial e pela preservação de sua cultura.

O reencontro com o Manto Sagrado

O Manto Sagrado Tupinambá é uma peça confeccionada com penas de aves como o guará, utilizada em rituais sagrados. Após mais de 300 anos fora do Brasil — o manto foi levado para a Dinamarca durante o período colonial —, a peça foi repatriada em setembro de 2023 e passou a integrar o acervo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde então, o objeto se tornou símbolo da resistência e da identidade tupinambá.

No evento que marcou a exibição pública do manto restaurado, lideranças indígenas, incluindo o cacique Babau Tupinambá, estiveram presentes e tiveram a oportunidade de dialogar diretamente com o presidente Lula, ministros e representantes de órgãos indigenistas.

Demarcação urgente

A principal reivindicação apresentada pelos tupinambás foi a demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, localizada no sul da Bahia. A área, que abrange cerca de 47 mil hectares, habitada por aproximadamente 6 mil indígenas, aguarda há décadas a regularização fundiária. As lideranças denunciaram invasões de grileiros, fazendeiros e empresas de mineração, além da falta de assistência básica à saúde e educação nas aldeias.

Segundo os tupinambás, a demora na demarcação tem gerado conflitos fundiários e ameaçado a integridade física das comunidades. Eles pedem que o governo federal conclua o processo de identificação e delimitação da terra e emita o decreto de homologação.

Resposta do governo

O presidente Lula, durante o encontro, ouviu atentamente as demandas e reafirmou o compromisso de seu governo com os direitos indígenas. Ele lembrou a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a retomada dos processos de demarcação paralisados nos governos anteriores. Embora não tenha anunciado uma data específica para a conclusão do processo tupinambá, Lula sinalizou que a questão está na lista de prioridades da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Ministros presentes, como a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, garantiram que darão atenção especial ao caso. A Funai informou que os estudos de identificação estão em andamento e que uma equipe técnica será enviada à região nos próximos meses.

Importância simbólica do Manto Sagrado

Para os tupinambás, o Manto Sagrado não é apenas um artefato histórico, mas um ente espiritual que representa a conexão com os ancestrais. A cerimônia de recepção do manto envolveu cânticos, danças e rituais tradicionais. A presença de Lula no evento foi interpretada como um gesto de reconhecimento da cultura indígena e uma oportunidade de dar visibilidade às causas territoriais.

A antropóloga Maria Hilda Baqueiro, especialista em povos indígenas, destacou que a repatriação do manto é um marco na relação entre o Estado brasileiro e os povos originários, mas que a devolução de objetos culturais precisa vir acompanhada de políticas efetivas de reparação territorial.

Próximos passos

As lideranças tupinambás afirmaram que continuarão mobilizadas e que pretendem manter diálogo com o governo federal. Uma nova reunião com representantes da Funai e do Ministério da Justiça deve ocorrer nas próximas semanas para discutir o cronograma de demarcação. O caso também tramita na Justiça Federal, onde ação cobra a conclusão do processo.

Enquanto aguardam as definições, os tupinambás seguem promovendo eventos culturais abertos ao público para divulgar sua luta e fortalecer alianças com outros povos indígenas, movimentos sociais e a sociedade em geral.

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Perguntas frequentes sobre o Manto Sagrado e a demarcação

O que é o Manto Sagrado Tupinambá?

É uma vestimenta cerimonial feita de penas de aves, utilizada pelos tupinambás em rituais religiosos e políticos. Cada manto é considerado um ser sagrado, com nome e história próprios. O exemplar repatriado da Dinamarca data do século XVII e é um dos únicos mantos tupinambás preservados no mundo.

Por que a demarcação da terra é importante para os tupinambás?

A demarcação garante a posse legal da terra, protege o território contra invasões e assegura a continuidade do modo de vida tradicional, incluindo a caça, a pesca, a coleta e a prática de rituais. Sem a demarcação, os tupinambás ficam vulneráveis a conflitos fundiários e à degradação ambiental.

O que o governo Lula já fez pela demarcação de terras indígenas?

O governo Lula retomou os processos de demarcação paralisados, criou o Ministério dos Povos Indígenas e homologou diversas terras indígenas nos primeiros anos de mandato. No entanto, mais de 200 processos ainda aguardam conclusão, incluindo o dos tupinambás.

Como apoiar a causa tupinambá?

É possível apoiar por meio de doações a organizações indigenistas, divulgando as demandas do povo Tupinambá em redes sociais e participando de eventos culturais promovidos pelas comunidades. Também é importante cobrar das autoridades a celeridade nos processos de demarcação.