Embrapa anuncia bioinseticida contra pragas na soja, milho e algodão

Publicado em 15 de janeiro de 2025

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acaba de anunciar o desenvolvimento de um novo bioinseticida de alta eficácia para o controle de pragas nas culturas de soja, milho e algodão. O produto, formulado à base de microrganismos naturais, representa uma alternativa sustentável aos defensivos químicos, alinhando-se às crescentes demandas por uma agricultura mais verde e responsável. A novidade chega em um momento crucial para o agronegócio brasileiro, que busca reduzir o uso de agroquímicos sem comprometer a produtividade.

O que é o novo bioinseticida?

O bioinseticida desenvolvido pela Embrapa utiliza um fungo entomopatogênico (Beauveria bassiana) que age de forma específica sobre as pragas-alvo. Quando aplicado nas plantações, o microrganismo penetra no corpo dos insetos e libera toxinas que os eliminam em poucos dias. Diferentemente dos inseticidas sintéticos, ele não prejudica os inimigos naturais das pragas, como joaninhas e vespas, preservando o equilíbrio ecológico da lavoura.

O produto foi formulado em parceria com empresas de defensivos biológicos e passou por rigorosos testes de laboratório e campo antes de ser apresentado ao público. Sua composição é baseada em cepas selecionadas do microrganismo, escolhidas por sua alta virulência contra as principais pragas que afetam as culturas de soja, milho e algodão.

Pragas-alvo e eficácia

Os estudos de campo realizados em diversas regiões produtoras do Brasil indicam que o bioinseticida é especialmente eficiente contra lagartas como a Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho) e a Helicoverpa armigera, além de percevejos como o percevejo-marrom (Euschistus heros) e pulgões. Essas pragas estão entre as que mais causam prejuízos econômicos ao agronegócio nacional, com perdas anuais estimadas em bilhões de reais.

Nas culturas de soja, milho e algodão, o controle biológico surge como uma ferramenta importante no manejo integrado de pragas (MIP). O uso do bioinseticida pode ser combinado com outras práticas sustentáveis, como rotação de culturas e uso de plantas resistentes, potencializando os resultados e reduzindo a dependência de químicos.

Vantagens ambientais e para o produtor

Além de reduzir a contaminação do solo e da água, o bioinseticida contribui para a diminuição dos resíduos químicos nos alimentos e para a preservação da biodiversidade. Para o agricultor, o produto oferece segurança na aplicação (menor toxicidade) e possibilidade de uso em sistemas de produção orgânica e convencional.

Outro benefício importante é a seletividade: o produto não afeta abelhas e outros polinizadores quando aplicado de acordo com as recomendações técnicas, um diferencial crucial em um momento de preocupação global com o declínio das populações de polinizadores. A expectativa é que o custo seja competitivo em relação aos inseticidas tradicionais, especialmente considerando a redução de passivos ambientais e a menor necessidade de reaplicações.

Registro e disponibilidade

A Embrapa já submeteu o bioinseticida aos órgãos reguladores competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e aguarda o registro comercial. A previsão é que o produto esteja disponível no mercado a partir da próxima safra, inicialmente para as principais regiões agrícolas do Brasil.

Parcerias com indústrias do setor de defensivos biológicos estão sendo firmadas para escalar a produção e garantir que o bioinseticida chegue ao produtor rural a preços acessíveis. A Embrapa também planeja oferecer treinamento e assistência técnica para o uso correto do produto.

Perguntas Frequentes

O bioinseticida é seguro para a saúde humana?

Sim. Por ser de origem biológica, o produto é considerado seguro e atende aos padrões rigorosos de toxicologia exigidos pela Anvisa. Não há risco de contaminação por resíduos químicos nos alimentos.

Ele afeta abelhas e outros polinizadores?

Não, desde que aplicado conforme as recomendações técnicas. O bioinseticida é seletivo, atacando apenas as pragas-alvo e preservando os insetos benéficos.

Qual a diferença para um inseticida químico convencional?

A principal diferença está na origem: o bioinseticida é natural e biodegradável, degradando-se rapidamente no ambiente sem deixar resíduos tóxicos. Ele também apresenta menor risco de desenvolvimento de resistência por parte das pragas.

O produto é eficaz contra todas as pragas da soja, milho e algodão?

Ele foi desenvolvido para controlar um espectro específico de pragas, principalmente lagartas e percevejos. Para outras pragas, podem ser necessários métodos complementares de controle.

Quando estará disponível para compra?

A previsão é que o registro seja aprovado nos próximos meses e que o produto chegue ao mercado brasileiro já na próxima safra, com distribuição inicial focada nos estados com maior produção.