Tecnologia & Inovação

Empresas não protegem crianças na internet, dizem 9 em cada 10 pessoas

Publicado em 14 de janeiro de 2025

Uma recente pesquisa de opinião revelou que 9 em cada 10 brasileiros acreditam que as empresas de tecnologia não protegem adequadamente crianças e adolescentes no ambiente digital. O levantamento, que ouviu milhares de participantes em todo o país, sinaliza uma insatisfação generalizada com a atuação das plataformas online na segurança infantil.

Os dados mostram que apenas 10% dos entrevistados avaliam positivamente as medidas atuais. Os demais 90% apontam falhas na moderação de conteúdo, ausência de filtros parentais eficientes e coleta inadequada de dados de menores como os principais problemas. Pais e educadores sentem-se desamparados diante da falta de ferramentas eficazes.

Percepção da sociedade

A pesquisa indica que a desconfiança em relação às big techs é transversal entre diferentes faixas etárias e classes sociais. A maioria dos entrevistados acredita que as plataformas priorizam o lucro e o engajamento em detrimento da segurança infantil. Apenas 1 em cada 10 considera que as empresas se esforçam o suficiente para criar um ambiente digital seguro para crianças.

Entre as críticas mais frequentes estão a exposição a conteúdos violentos, a publicidade enganosa voltada para o público infantil e a dificuldade de denunciar perfis suspeitos. Muitos pais relataram que seus filhos já tiveram contato com material impróprio mesmo em plataformas que supostamente possuem restrição de idade.

Riscos enfrentados por crianças online

Os perigos no ambiente digital são múltiplos e crescentes. Crianças estão expostas a:

  • Cyberbullying: agressões e humilhações que ocorrem em redes sociais e aplicativos de mensagem, muitas vezes anônimas.
  • Aliciamento por predadores: pessoas mal-intencionadas que se passam por jovens para ganhar a confiança de crianças.
  • Conteúdo pornográfico e violento: acesso não intencional a materiais inadequados para a idade.
  • Desafios perigosos: brincadeiras virais que incentivam atos arriscados e lesões.
  • Coleta de dados pessoais: empresas que recolhem informações de crianças sem o consentimento dos pais, violando a privacidade.

A ausência de verificação de idade efetiva permite que menores acessem livremente redes sociais, jogos online e sites de streaming sem qualquer barreira.

Responsabilidade das empresas de tecnologia

As grandes plataformas como Meta (Facebook, Instagram), TikTok e Google têm implementado sistemas de moderação automatizada, mas a eficácia é frequentemente questionada. Conteúdo nocivo muitas vezes permanece no ar por horas ou dias até ser removido após denúncias. As ferramentas de controle parental existentes são consideradas limitadas e de difícil configuração.

Especialistas apontam que as empresas precisam assumir uma postura mais proativa: investir em moderação humana combinada com inteligência artificial, criar mecanismos de denúncia mais rápidos e transparentes, e desenvolver ambientes digitais específicos para crianças, com curadoria de conteúdo e proteção de dados reforçada.

Medidas que podem ser adotadas

Diversas soluções têm sido discutidas por organizações de defesa dos direitos digitais e autoridades reguladoras. Entre as principais recomendações estão:

  • Verificação de idade obrigatória em redes sociais e plataformas de entretenimento, sem comprometer a privacidade dos usuários.
  • Educação digital nas escolas para ensinar crianças e adolescentes a navegar com segurança.
  • Transparência algorítmica para que pais e responsáveis possam entender como o conteúdo é recomendado.
  • Ferramentas parentais integradas nativas nos sistemas operacionais e aplicativos.
  • Relatórios de transparência periódicos sobre moderação de conteúdo e remoção de perfis nocivos.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já estabelece regras específicas para o tratamento de dados de crianças e adolescentes, exigindo o consentimento explícito dos pais. O Marco Civil da Internet também prevê a responsabilização das plataformas por conteúdo gerado por terceiros em certas circunstâncias.

Desafios futuros

A implementação de medidas eficazes de proteção infantil na internet enfrenta obstáculos técnicos e econômicos. A verificação de idade sem comprometer a privacidade é um dilema ainda não resolvido. Além disso, a regulação precisa acompanhar a rápida evolução tecnológica, evitando tornar as leis obsoletas em pouco tempo.

O debate sobre a responsabilidade das plataformas tende a se intensificar nos próximos anos, com pressão da sociedade civil e de governos. Iniciativas como o Children's Code no Reino Unido e as diretrizes da União Europeia para serviços digitais podem servir de referência para o Brasil.

Perguntas Frequentes

Como as empresas podem melhorar a proteção?

As empresas devem investir em moderação humana combinada com inteligência artificial, criar filtros parentais mais eficientes, fornecer relatórios de transparência e colaborar com autoridades e organizações de defesa dos direitos da criança. Também é essencial que desenvolvam algoritmos que não priorizem o engajamento em detrimento da segurança.

O que os pais podem fazer?

Os pais podem monitorar o uso dos dispositivos, conversar abertamente sobre segurança digital com os filhos, configurar controles parentais disponíveis nos sistemas operacionais e aplicativos, utilizar senhas fortes e denunciar conteúdos suspeitos às plataformas e à polícia.

Redes sociais são seguras para crianças?

A maioria das redes sociais exige idade mínima de 13 anos para criação de conta, mas a verificação é frágil e facilmente burlada. Crianças menores frequentemente acessam esses ambientes sem supervisão. As redes não são projetadas para o público infantil e apresentam riscos significativos, como exposição a conteúdo impróprio e contato com estranhos.

Existe lei no Brasil que obriga as empresas a proteger as crianças?

Sim. A LGPD proíbe o tratamento de dados de crianças e adolescentes sem o consentimento específico e destacado dos pais. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também prevê a proteção integral. O Marco Civil da Internet estabelece a responsabilidade das plataformas em determinados casos. No entanto, a fiscalização e a aplicação dessas leis ainda são desafios.

O que fazer se encontrar conteúdo impróprio?

O usuário deve denunciar o conteúdo à própria plataforma, utilizando os canais de denúncia disponíveis. Em casos graves, como aliciamento ou pornografia infantil, é fundamental registrar Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia e acionar organizações especializadas como a SaferNet Brasil.

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