Entenda como funcionará a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é uma iniciativa internacional que reúne governos, organismos multilaterais, setor privado e sociedade civil para acelerar os esforços de erradicação da fome e da pobreza extrema no mundo. Lançada durante a presidência brasileira do G20 em 2024, a aliança propõe uma abordagem coordenada e baseada em evidências para enfrentar as causas estruturais da insegurança alimentar e da desigualdade.
Neste artigo, explicamos os principais pilares da Aliança, seu funcionamento, os atores envolvidos e o que se espera dessa cooperação global. Confira também as perguntas frequentes sobre o tema.
O que é a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza?
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é um mecanismo de cooperação internacional voltado a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 1 (Erradicação da Pobreza) e o ODS 2 (Fome Zero). Diferentemente de iniciativas pontuais, a Aliança busca integrar políticas públicas, financiamento, assistência técnica e monitoramento em uma plataforma comum, potencializando o impacto das ações e evitando a duplicação de esforços.
O lançamento da Aliança foi anunciado em junho de 2024, durante a reunião de líderes do G20 no Brasil, e reflete a prioridade do governo brasileiro em colocar o combate à fome no centro da agenda global. A iniciativa é aberta à adesão voluntária de países, independentemente do seu nível de desenvolvimento, e prevê a participação de organizações internacionais, fundações, empresas e organizações não governamentais.
Objetivos principais
- Erradicar a fome até 2030 – acelerar o progresso em direção ao ODS 2, garantindo acesso a alimentos nutritivos e suficientes para todas as pessoas.
- Reduzir a pobreza em todas as suas dimensões – promover renda, proteção social e acesso a serviços básicos (saúde, educação, água, saneamento).
- Fortalecer sistemas alimentares sustentáveis – apoiar a agricultura familiar, a agroecologia e a produção local, com respeito ao meio ambiente.
- Mobilizar financiamento e tecnologia – canalizar recursos de fontes públicas e privadas para projetos de alto impacto, com foco nos países mais vulneráveis.
- Criar mecanismos de monitoramento e transparência – estabelecer indicadores comuns para acompanhar os compromissos e resultados.
Como funcionará a Aliança?
O funcionamento da Aliança está baseado em três eixos complementares: governança, financiamento e implementação.
1. Governança
A governança será exercida por um comitê diretor composto por representantes de países membros, organismos internacionais (como a ONU, FAO, PMA, Banco Mundial) e da sociedade civil. O comitê definirá as prioridades estratégicas, aprovará planos de ação e avaliará os resultados periódicos. Haverá também assembleias gerais anuais para revisão de progresso e ajustes de rota.
2. Financiamento
Está prevista a criação de um fundo multidoadores, alimentado por contribuições voluntárias de governos, instituições financeiras internacionais, fundações filantrópicas e setor privado. Os recursos serão destinados a programas nacionais e regionais de segurança alimentar, redes de proteção social, transferência de renda, fortalecimento da agricultura familiar e infraestrutura básica. Mecanismos de blended finance (combinação de capital público e privado) também poderão ser utilizados.
3. Implementação
Cada país aderente elaborará um plano nacional alinhado às diretrizes da Aliança, com metas e cronogramas específicos. A Aliança oferecerá cooperação técnica, intercâmbio de boas práticas e apoio à capacitação de gestores públicos. Um sistema de monitoramento baseado em indicadores como a prevalência da subalimentação, a taxa de pobreza extrema e o acesso a serviços essenciais permitirá avaliar o progresso e corrigir desvios.
Quem pode participar?
Podem aderir à Aliança todos os países membros da ONU, organizações intergovernamentais, organizações da sociedade civil, empresas e fundações que se comprometam com os princípios e metas da iniciativa. A participação é voluntária e não implica vínculos financeiros obrigatórios, mas exige a apresentação de contribuições concretas, sejam financeiras, técnicas ou de advocacy.
Impactos esperados
Espera-se que a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza consiga acelerar significativamente a redução da fome e da pobreza, especialmente nas regiões mais afetadas, como África Subsaariana, Sul da Ásia e partes da América Latina. Ao integrar políticas de proteção social, apoio à agricultura familiar e investimento em infraestrutura, a iniciativa pode gerar ganhos de escala e eficiência que ações isoladas não alcançariam.
Além disso, a Aliança pretende influenciar a agenda internacional de financiamento ao desenvolvimento, estimulando países doadores e instituições multilaterais a destinarem mais recursos para segurança alimentar e combate à pobreza.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. A Aliança substitui programas existentes contra a fome?
Não. A Aliança é um mecanismo de coordenação e potencialização, não substitui os programas e políticas nacionais ou internacionais já em curso. Ela busca integrar esforços, evitar duplicações e preencher lacunas, respeitando a soberania de cada país.
2. Como um país pode aderir?
A adesão é feita por meio de manifestação formal ao Comitê Diretor da Aliança, geralmente encaminhada pelo ministério responsável pelas relações exteriores ou pelo órgão de coordenação de políticas sociais. Após a adesão, o país elabora seu plano nacional de contribuição.
3. A iniciativa tem vínculo com a ONU?
A Aliança conta com o apoio do sistema ONU (FAO, PMA, PNUD, etc.) e dialoga com os fóruns multilaterais, mas é uma iniciativa autônoma, liderada por seus membros. Ela está alinhada com a Década de Ação da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.
4. Como o setor privado pode se envolver?
Empresas podem contribuir com investimentos, doações, compartilhamento de tecnologia e conhecimento, além de participar de projetos específicos nos países. A Aliança prevê um conselho consultivo empresarial para orientar a participação do setor privado.
5. Como será garantida a transparência?
A Aliança publicará relatórios anuais de progresso, com dados abertos e auditáveis, e realizará avaliações independentes. Todos os planos nacionais e a alocação de recursos do fundo multidoadores serão públicos.
6. O Brasil já está na Aliança?
Sim, o Brasil é um dos países fundadores e anfitrião do lançamento. O governo brasileiro se comprometeu a elaborar um plano nacional e a contribuir financeiramente para o fundo da Aliança, reforçando seu papel de liderança no combate à fome.
7. Quando a Aliança começa a funcionar na prática?
As primeiras reuniões do comitê diretor ocorreram ainda em 2024, e os planos nacionais estão sendo elaborados ao longo de 2025. A expectativa é que os primeiros projetos financiados comecem a ser implementados já em 2026.
Conclusão
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza representa uma oportunidade histórica de unir esforços globais em torno de causas urgentes. Embora desafios como financiamento adequado, coordenação entre múltiplos atores e monitoramento eficaz sejam significativos, a estrutura proposta oferece um caminho promissor para acelerar o progresso rumo a um mundo sem fome e com menos desigualdade.
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