Especialista do Inca alerta para risco da fumaça das queimadas à saúde

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) emitiu um alerta sobre os graves riscos à saúde causados pela inalação da fumaça proveniente de queimadas, especialmente durante períodos de seca e incêndios florestais. Especialistas da instituição destacam que a exposição contínua à fumaça pode desencadear problemas respiratórios, cardiovasculares e aumentar o risco de desenvolvimento de câncer.

Com o aumento das queimadas em diversas regiões do Brasil, a qualidade do ar se deteriora rapidamente. A fumaça liberada contém uma mistura complexa de substâncias tóxicas que podem penetrar profundamente nos pulmões e atingir a corrente sanguínea. O Inca, referência nacional em câncer, tem alertado a população sobre os perigos dessa exposição.

O que diz o Inca?

O Inca, vinculado ao Ministério da Saúde, tem se manifestado sobre os impactos das queimadas na saúde pública. Segundo a instituição, a exposição aguda e crônica à fumaça está associada ao aumento de internações por doenças respiratórias, como asma e bronquite, além de complicações cardiovasculares. O órgão também alerta para a presença de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), substâncias cancerígenas presentes na fumaça.

Principais substâncias tóxicas na fumaça

A fumaça das queimadas contém monóxido de carbono, material particulado (MP2,5 e MP10), óxidos de nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e metais pesados. Essas partículas finas podem se alojar nos alvéolos pulmonares e causar inflamação sistêmica. O material particulado fino (MP2,5) é especialmente perigoso por conseguir atravessar as barreiras pulmonares e entrar na corrente sanguínea.

Efeitos no sistema respiratório

A inalação da fumaça pode causar irritação nas vias aéreas, tosse seca, dificuldade para respirar, chiado no peito e agravamento de condições preexistentes como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Estudos mostram que o número de atendimentos de emergência por problemas respiratórios aumenta significativamente durante períodos de alta concentração de fumaça.

Riscos cardiovasculares

Além dos pulmões, o coração também é afetado. A exposição à fumaça pode desencadear arritmias, aumentar a pressão arterial e elevar o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O estresse oxidativo e a inflamação causados pelas partículas finas contribuem para esses efeitos. Pessoas com doenças cardíacas pré-existentes devem redobrar a atenção durante temporadas de queimadas.

Relação com o câncer

O Inca alerta especificamente sobre o potencial cancerígeno de componentes da fumaça. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica a poluição do ar exterior como cancerígena do Grupo 1 (causa câncer em humanos). A exposição prolongada à fumaça de biomassa está associada a um maior risco de câncer de pulmão e outros tipos de câncer respiratório. O alerta do Inca reforça a necessidade de reduzir a exposição, especialmente em regiões próximas aos focos de incêndio.

Populações mais vulneráveis

Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que atuam no combate aos incêndios são os grupos mais suscetíveis aos danos da fumaça. O sistema imunológico ainda em desenvolvimento das crianças e a menor capacidade de defesa dos idosos tornam esses grupos particularmente vulneráveis. Gestantes expostas podem sofrer complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Medidas de proteção recomendadas

Diante do cenário de queimadas frequentes, o Inca e outras entidades de saúde recomendam: evitar atividades ao ar livre durante períodos com alta concentração de fumaça; manter portas e janelas fechadas; utilizar purificadores de ar ou máscaras do tipo PFF2/N95 quando necessário; aumentar a ingestão de água para manter as vias aéreas hidratadas; e buscar atendimento médico ao surgirem sintomas respiratórios intensos. A conscientização da população é fundamental para minimizar os impactos na saúde.

Perguntas frequentes

Quais os sintomas imediatos da exposição à fumaça?
Os sintomas mais comuns incluem irritação nos olhos e garganta, tosse, falta de ar, dor de cabeça e tontura. Em casos mais graves, pode haver chiado respiratório e confusão mental.
A fumaça das queimadas pode causar câncer?
Sim. A exposição prolongada a substâncias cancerígenas presentes na fumaça, como os HAPs, está associada a um maior risco de desenvolvimento de câncer de pulmão e outros tipos de câncer, conforme classificação da IARC.
Quem deve tomar mais cuidado?
Grupos vulneráveis como crianças, idosos, gestantes, portadores de doenças respiratórias ou cardiovasculares crônicas e profissionais expostos ao fogo devem redobrar a proteção e evitar áreas afetadas.
O que fazer durante dias com alta concentração de fumaça?
Permaneça em ambientes fechados e bem vedados, use máscara protetora se precisar sair, mantenha a hidratação e monitore a qualidade do ar na sua região. Redobre a atenção com crianças e idosos.

Confira mais notícias sobre saúde no Jurema em Foco.