Febraban diz que crédito cresce 0,8% em outubro
14 de janeiro de 2025
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou nesta terça-feira (14) que o saldo total de operações de crédito no Brasil registrou crescimento de 0,8% em outubro de 2024, na comparação com setembro. O dado faz parte do Índice de Crédito da entidade, que acompanha mensalmente a evolução das concessões e do saldo das operações bancárias.
O que aponta o Índice de Crédito da Febraban
De acordo com o levantamento, o crescimento foi puxado tanto pelas operações de crédito livre quanto pelas direcionadas. O crédito livre, que inclui recursos próprios dos bancos, apresentou alta de 0,9% no mês, enquanto o crédito direcionado — voltado a setores como habitação, rural e infraestrutura — avançou 0,6%. No acumulado de 2024, o saldo total de crédito acumula expansão superior a 6%, refletindo a retomada gradual da atividade econômica e a confiança de consumidores e empresários.
O Índice de Crédito da Febraban é um dos principais termômetros do mercado financeiro brasileiro e serve de referência para análises de tendências de consumo, investimento e risco de crédito. A pesquisa considera dados de mais de 40 instituições financeiras associadas à federação, abrangendo cerca de 99% do mercado bancário do país.
Crédito para pessoas físicas e jurídicas
No segmento de pessoas físicas, o saldo de crédito cresceu 0,7% em outubro. As modalidades que mais contribuíram foram o crédito consignado, que segue sendo uma opção de juros mais baixos para aposentados e servidores públicos, e o cartão de crédito, que voltou a registrar aumento após meses de estabilidade. O crédito consignado, em particular, tem se destacado pela procura por refinanciamento e consolidação de dívidas.
Para as pessoas jurídicas, o crescimento foi de 1,1%, impulsionado principalmente pelo capital de giro e pelo desconto de duplicatas. As micro e pequenas empresas foram as que mais demandaram novos recursos, sinalizando otimismo com o ambiente de negócios e a necessidade de recomposição de estoques. O crédito para médias e grandes empresas também apresentou avanço, embora em ritmo mais moderado.
Contexto macroeconômico e impacto no crédito
A expansão do crédito ocorre em um cenário de juros ainda elevados — a taxa Selic atualmente está em 12,25% ao ano —, mas com inflação sob controle e mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego no Brasil caiu a 6,1% no trimestre encerrado em outubro de 2024, o menor patamar para o período desde 2014, o que tem sustentado a renda das famílias e a demanda por financiamentos.
A inadimplência, por sua vez, manteve-se estável em 3,4% das operações totais, segundo dados da própria Febraban. O indicador sugere que, apesar do aumento do endividamento, os consumidores continuam honrando seus compromissos dentro do esperado. Para os analistas, o controle da inadimplência é um fator positivo para a manutenção da oferta de crédito por parte dos bancos.
Perspectivas para o crédito em 2025
Para os próximos meses, a expectativa da Febraban é de que o crédito continue crescendo, ainda que em ritmo moderado. A manutenção da política monetária contracionista — o Banco Central sinalizou que a Selic deve permanecer em patamares elevados no curto prazo — tende a limitar a aceleração das concessões. Por outro lado, a recuperação gradual da economia e a melhora na confiança de consumidores e empresários devem sustentar a demanda.
O cenário fiscal, no entanto, é um ponto de atenção. As incertezas em relação ao controle dos gastos públicos e à trajetória da dívida podem influenciar as decisões de investimento e consumo, impactando indiretamente o mercado de crédito. A Febraban recomenda que as instituições financeiras mantenham uma política de concessão criteriosa, equilibrando crescimento com gestão de risco.
Perguntas frequentes sobre o Índice de Crédito
O que é o Índice de Crédito da Febraban?
É um indicador mensal que mede a evolução do saldo e das concessões de crédito no sistema bancário brasileiro, segmentado por tipo (livre e direcionado) e por tomador (pessoa física e jurídica).
O crescimento de 0,8% é relevante?
Sim. O percentual indica que, mesmo com juros altos, a economia segue demandando crédito, o que sinaliza resiliência do consumo e dos investimentos produtivos.
Quais fatores explicam o crescimento?
Entre os principais fatores estão o aumento do crédito consignado, o desempenho positivo do cartão de crédito e a maior procura por capital de giro por parte das empresas, especialmente as de menor porte.
Como a inadimplência se comportou?
De acordo com o levantamento da Febraban, a inadimplência manteve-se estável em 3,4%, indicando que o endividamento das famílias continua sob controle e que os consumidores têm conseguido honrar seus compromissos.
