Indicadores da covid-19 permanecem em alta no estado do Rio

O estado do Rio de Janeiro registra, nas últimas semanas, uma trajetória de alta nos principais indicadores da Covid-19. O aumento de casos, a positividade dos testes e a procura por atendimento médico acenderam um sinal de alerta entre as autoridades de saúde e a população.

Os boletins epidemiológicos mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) apontam que a média móvel de novos diagnósticos saltou nas últimas duas semanas, invertendo a tendência de queda que se observava desde o fim do ano passado. A taxa de positividade dos exames RT-PCR e testes rápidos de antígeno passou de cerca de 10% para aproximadamente 25% em algumas regiões administrativas, o que indica circulação viral intensa e subnotificação de casos leves.

O cenário atual dos casos

Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) mostram uma curva ascendente de contágio. A taxa de transmissão (Rt) voltou a patamares que indicam disseminação ativa do vírus em diversas regiões do estado, incluindo a capital, Niterói, Duque de Caxias, São Gonçalo e a Baixada Fluminense. A positividade dos testes de antígeno e RT-PCR subiu consideravelmente nas últimas duas semanas, o que sugere que a circulação viral está intensa.

Especialistas consultados explicam que o aumento era esperado devido à maior aglomeração nas festas de fim de ano e à circulação de novas subvariantes com alta capacidade de transmissão. Diferentemente dos picos anteriores, no entanto, a letalidade tem se mantido baixa, graças à cobertura vacinal ampla e ao fato de que grande parte da população já teve contato prévio com o vírus.

Circulação de novas variantes

Laboratórios de referência apontam para a predominância de subvariantes da Ômicron, como a JN.1 e suas linhagens derivadas (KP.2, KP.3), que apresentam maior capacidade de escape da resposta imunológica induzida por infecções ou vacinação anteriores. Essas subvariantes são altamente transmissíveis, embora ainda não haja evidências de que causem quadros clínicos mais graves na maior parte da população vacinada.

A JN.1, considerada uma evolução da BA.2.86, carrega mutações adicionais na proteína spike que a tornam mais apta a infectar células mesmo em pessoas com imunidade híbrida. Isso explica por que mesmo indivíduos que tiveram Covid-19 recentemente ou que estão com o esquema vacinal completo têm sido diagnosticados. Os sintomas mais comuns relatados com essas linhagens incluem coriza intensa, espirros frequentes, dor de garganta e tosse seca; a perda de olfato e palato tornou-se menos frequente.

Pressão sobre o sistema de saúde

O reflexo do aumento de casos já é sentido na rede hospitalar do estado. A demanda por leitos de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) cresceu nas últimas semanas. Hospitais municipais e estaduais têm reportado uma maior ocupação, embora o cenário, por enquanto, não seja de colapso como em ondas anteriores. O principal grupo de risco internado continua sendo o de idosos acima de 70 anos e pessoas com comorbidades não controladas.

Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) mostram que as internações por SRAG entre idosos e imunossuprimidos aumentaram cerca de 40% no comparativo com o mês anterior, mas a taxa de mortalidade intra-hospitalar permanece estável, sinalizando que os tratamentos disponíveis e a vacinação têm evitado desfechos fatais na maioria dos casos.

A importância da vacinação e do reforço

A vacinação continua sendo a principal ferramenta para evitar formas graves da doença. A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro mantém a oferta da vacina bivalente atualizada para toda a população elegível, com ênfase nos grupos prioritários: pessoas com 60 anos ou mais, imunossuprimidos, gestantes e profissionais de saúde. Estudos de efetividade mostram que a dose de reforço com a vacina bivalente reduz em mais de 70% o risco de hospitalização por Covid-19 causada pelas subvariantes circulantes.

As unidades básicas de saúde (UBS) de todos os municípios fluminenses estão abastecidas com os imunizantes. A orientação é que as pessoas verifiquem a caderneta de vacinação e, se estiverem com o esquema primário ou os reforços atrasados, procurem a unidade mais próxima. A vacinação pode ser feita simultaneamente com outras vacinas do calendário adulto, como a da gripe.

Medidas das autoridades

A SES-RJ e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio reforçaram as recomendações de prevenção. Entre as principais orientações estão:

  • Uso de máscaras em ambientes fechados, transporte público e locais com aglomeração.
  • Higienização frequente das mãos com álcool 70% ou água e sabão.
  • Testagem ao apresentar os primeiros sintomas gripais.
  • Isolamento imediato em caso de teste positivo.

A campanha de vacinação também foi intensificada. As doses de reforço com a vacina bivalente atualizada contra a Covid-19 estão disponíveis para toda a população elegível.

Além das medidas individuais, a Secretaria de Saúde determinou a ampliação da testagem nas unidades de pronto-atendimento e a notificação compulsória de casos suspeitos em hospitais públicos e privados. Algumas prefeituras, como a de Niterói e a de Duque de Caxias, retomaram a obrigatoriedade do uso de máscaras em repartições públicas e hospitais municipais.

O que fazer para se proteger?

A sociedade precisa retomar cuidados que foram deixados de lado. Pessoas do grupo de risco devem usar máscara do tipo PFF2/N95 em qualquer ambiente compartilhado. Manter o cartão de vacina atualizado é a medida mais eficaz para evitar formas graves da doença. Além disso, ao apresentar sintomas, é fundamental realizar o teste e evitar contato próximo com outras pessoas para quebrar a cadeia de transmissão.

Para a população em geral, a recomendação é redobrar a atenção em eventos fechados e em viagens. Manter ambientes bem ventilados, priorizar atividades ao ar livre e usar máscara em locais com pouca circulação de ar são estratégias que reduzem significativamente o risco de contágio. Pessoas que pertencem aos grupos de risco devem, ainda, conversar com seu médico sobre a necessidade de uma dose adicional de reforço ou sobre o uso precoce de antivirais em caso de infecção.

Perguntas frequentes (FAQ)

Este aumento de casos é uma nova onda?

Os números atuais indicam um novo ciclo de alta, mas ainda não no mesmo patamar das grandes ondas de 2021 ou 2022. A alta transmissibilidade das novas subvariantes faz com que o vírus encontre facilmente hospedeiros suscetíveis, gerando picos recorrentes.

Os sintomas mudaram?

As subvariantes atuais tendem a causar sintomas mais leves em vacinados, como coriza intensa, espirros, dor de garganta, tosse seca e cansaço. A perda de olfato e paladar tornou-se menos comum.

Onde posso me vacinar?

As vacinas estão disponíveis nas unidades básicas de saúde (UBS) e postos de vacinação em todo o estado do Rio. É importante verificar a unidade mais próxima e levar a caderneta de vacinação atualizada.

Preciso tomar outro reforço?

Para grupos prioritários (60+, imunossuprimidos, gestantes e profissionais de saúde), a recomendação é de doses de reforço periódicas com a vacina atualizada. Consulte o calendário vacinal da sua cidade.

Qual a diferença entre os sintomas da Covid-19 e da gripe?

Ambas podem causar febre, tosse e dores no corpo. A Covid-19 atual tem se manifestado mais com coriza intensa e espirros, enquanto a gripe costuma provocar febre mais alta e dores musculares mais evidentes. O teste específico (RT-PCR ou antígeno) é a única forma de confirmar o diagnóstico.

O uso de máscara ainda é necessário?

Sim, especialmente em locais fechados e com aglomeração. Máscaras bem ajustadas (PFF2/N95) oferecem maior proteção, principalmente para pessoas do grupo de risco.