Investigação apura fraudes de R$ 40 milhões contra Banco do Brasil
Uma investigação conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União apura um esquema de fraudes que teria causado um prejuízo estimado em R$ 40 milhões ao Banco do Brasil. As apurações tiveram início após uma auditoria interna do banco identificar irregularidades em operações de crédito realizadas entre 2019 e 2023. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em pelo menos três estados na manhã desta quarta-feira (15).
Entenda o caso
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a concessão de empréstimos fictícios e a liberação de crédito sem as devidas garantias, beneficiando empresas de fachada e pessoas físicas ligadas a um grupo organizado. Os recursos desviados eram então transferidos por meio de contas bancárias de terceiros, em um processo de lavagem de dinheiro que dificultava o rastreamento.
A auditoria interna do Banco do Brasil detectou inconsistências nos registros de operações de crédito em pelo menos duas agências no Nordeste. A partir daí, o banco acionou as autoridades competentes, que iniciaram a investigação sigilosa. Ao longo de seis meses, os investigadores reuniram provas documentais, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.
Como funcionava o esquema
Segundo a apuração, o esquema era composto por três pilares principais:
- Captação de laranjas: o grupo utilizava dados de pessoas de baixa renda, muitas vezes sem conhecimento, para solicitar empréstimos consignados e outros produtos bancários. Os valores aprovados eram sacados e entregues aos operadores do esquema, enquanto as vítimas ficavam com as dívidas.
- Empresas de fachada: empresas criadas exclusivamente para receber crédito empresarial sem atividade real. Os empréstimos eram aprovados mediante apresentação de documentos falsificados, como balanços patrimoniais e declarações de faturamento.
- Lavagem de dinheiro: os valores obtidos eram pulverizados em múltiplas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, adquirindo bens como imóveis, veículos de luxo e transferências para o exterior. O uso de criptomoedas também foi identificado em algumas transações.
As investigações indicam que o grupo agia há pelo menos cinco anos, com ramificações em pelo menos quatro estados. O prejuízo total pode ser ainda maior, já que novas operações fraudulentas continuam sendo descobertas.
Os investigados
Entre os alvos da operação estão ex-funcionários do Banco do Brasil, empresários do setor de comércio e serviços, e um contador que supostamente atuava como elo entre o banco e as empresas de fachada. As autoridades não divulgaram nomes, mas confirmaram que pelo menos 12 pessoas físicas e 8 empresas estão sob investigação.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais nos estados do Ceará, Pernambuco e São Paulo. Também foram bloqueados judicialmente bens e valores de até R$ 40 milhões, como forma de garantir o ressarcimento ao banco.
Ação da Polícia Federal
Na operação, batizada de Operação Farol Quebrado, a Polícia Federal mobilizou 80 agentes para cumprir as ordens judiciais. Foram apreendidos documentos, computadores, celulares e veículos de luxo. Segundo a PF, a análise do material apreendido deve levar a novas fases da operação.
O Banco do Brasil emitiu nota informando que colabora integralmente com as investigações e que já adotou medidas internas para reforçar os controles antifraude. A instituição afirmou que os prejuízos identificados serão objeto de cobrança judicial e que espera o ressarcimento integral.
Consequências legais
Os crimes investigados incluem estelionato qualificado, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, além de multas pesadas.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a fraude bancária é um dos crimes mais complexos de investigar, pois exige grande capacidade de rastreamento financeiro e cooperação entre instituições. A recuperação dos valores desviados depende da rapidez do bloqueio de bens, o que foi feito já nesta fase.
O Ministério Público Federal deverá oferecer denúncia nos próximos meses, assim que a análise das provas for concluída. Os investigados poderão responder em liberdade, mas com medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato entre si.
Perguntas frequentes
O que é fraude bancária?
Fraude bancária é qualquer ação ilícita que visa obter vantagem indevida por meio de operações financeiras, como abertura de contas falsas, concessão de crédito mediante documentos falsos, desvio de valores, entre outros.
Quais as penas previstas para esse crime?
As penas variam conforme o crime: estelionato qualificado pode chegar a 6 anos de reclusão; lavagem de dinheiro, até 10 anos; e organização criminosa, de 3 a 8 anos. As penas podem ser somadas quando há múltiplos delitos.
Como denunciar fraudes bancárias?
Denúncias podem ser feitas à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal ou à própria ouvidoria do Banco do Brasil. Também é possível registrar ocorrência em delegacias comuns ou pela internet, nos canais oficiais.
O Banco do Brasil é responsável pelo prejuízo?
Em geral, o banco responde civilmente por danos causados a clientes, mas quando a fraude é interna, a instituição pode cobrar dos funcionários envolvidos. Medidas administrativas e criminais são tomadas contra os responsáveis.
Como se proteger contra fraudes?
Manter dados pessoais seguros, não compartilhar senhas, verificar extratos com frequência e desconfiar de ofertas de crédito muito fáceis são algumas das medidas recomendadas.
