Líderes de favelas querem fundo no G20 para desenvolver comunidades

Representantes de favelas brasileiras preparam uma proposta para ser apresentada durante a cúpula do G20, que ocorrerá no Rio de Janeiro em 2024. A ideia é criar um fundo internacional voltado ao desenvolvimento de comunidades periféricas, com gestão participativa e foco em infraestrutura, educação, geração de renda e moradia digna.

O contexto das favelas no Brasil

As favelas são uma realidade presente em todas as regiões metropolitanas do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 5% da população brasileira vive em comunidades subnormais, caracterizadas pela ausência de serviços públicos básicos, como saneamento, coleta de lixo regular e acesso a saúde e educação de qualidade. Apesar das dificuldades, as favelas também são polos de empreendedorismo, cultura e resistência. Lideranças comunitárias vêm se organizando para reivindicar políticas públicas mais eficazes e inclusivas.

A exclusão histórica desses territórios dos grandes debates nacionais e internacionais motivou um grupo de ativistas a buscar espaço no G20, o fórum que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. Eles entendem que o desenvolvimento das favelas está diretamente ligado à redução das desigualdades, um dos temas centrais da agenda global.

A proposta do fundo

A proposta consiste na criação de um fundo multilateral, alimentado por contribuições voluntárias dos países do G20, com a participação de organizações internacionais e da sociedade civil. Os recursos seriam aplicados em projetos elaborados e executados pelas próprias comunidades, por meio de conselhos gestores locais. Entre as áreas prioritárias estão:

  • Regularização fundiária e urbanização;
  • Saneamento básico e acesso à água potável;
  • Construção e reforma de moradias;
  • Centros de capacitação profissional e tecnológica;
  • Apoio ao microempreendedorismo e economia solidária;
  • Programas de cultura, esporte e lazer;
  • Segurança alimentar e nutricional.

Os líderes comunitários defendem que a gestão do fundo seja compartilhada entre governos, organismos multilaterais e representantes eleitos das favelas, garantindo transparência e controle social.

Por que o G20?

O G20 é considerado a principal arena de coordenação econômica internacional. Em 2024, o Brasil preside o grupo e tem a oportunidade de pautar temas caros ao Sul Global, como o combate à fome, a reforma da governança global e a redução das desigualdades. As lideranças de favelas acreditam que o G20 pode dar visibilidade e trazer compromissos concretos dos países mais ricos.

A escolha do Rio de Janeiro como sede da cúpula também é simbólica: a cidade possui algumas das maiores favelas do país, como a Rocinha e o Complexo do Alemão. Levar a discussão para o território onde o problema é mais visível pode pressionar os líderes mundiais a agirem.

Impactos esperados

Caso o fundo se concretize, os benefícios potenciais são enormes. A urbanização de favelas com infraestrutura adequada reduz doenças, melhora a mobilidade e valoriza as comunidades. A geração de renda por meio do empreendedorismo local fortalece a economia e diminui a dependência de programas assistenciais. A participação cidadã na gestão dos recursos fortalece a democracia e a autonomia das comunidades.

Além disso, o fundo poderia servir de modelo para outras regiões periféricas do mundo, como as townships sul-africanas, as villas miseria argentinas e os kampungs indonésios, promovendo uma rede global de desenvolvimento comunitário.

Desafios e obstáculos

Apesar do entusiasmo, o caminho é cheio de desafios. A principal dificuldade é convencer os governos a destinarem recursos significativos em um momento de restrições orçamentárias e tensões geopolíticas. Também há o receio de que a burocracia internacional torne o fundo lento e distante das bases.

Outro ponto sensível é a representatividade: como garantir que os líderes escolhidos para os conselhos realmente reflitam a diversidade das favelas? A proposta prevê eleições diretas e mandatos rotativos, mas a implementação requer mecanismos robustos de participação.

Perguntas frequentes

Quem são os líderes por trás da proposta?

São representantes de associações de moradores, coletivos culturais e ONGs com atuação consolidada em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Recife e outras capitais. Eles integram redes como a Central Única das Favelas (CUFA) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

O fundo seria apenas para o Brasil?

Não. A proposta tem caráter global, podendo beneficiar comunidades periféricas em todos os países do G20 e além. Cada país definiria suas prioridades de acordo com a realidade local.

Quando o fundo pode sair do papel?

A proposta será apresentada oficialmente na cúpula do G20. Se houver acolhimento, um grupo de trabalho pode ser formado para estudar a viabilidade. O processo pode levar de dois a cinco anos, mas as lideranças esperam ao menos uma declaração de compromisso ainda em 2024.


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