Mauro Cid prestará novo depoimento à PF na terça-feira

Por Redação | Atualizado em 2025

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, está convocado para prestar um novo depoimento à Polícia Federal na próxima terça-feira. A oitiva faz parte das investigações em andamento que miram o entorno do ex-chefe do Executivo, incluindo os inquéritos sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, o esquema de desvio de joias e a falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19. Este será mais um capítulo de uma colaboração premiada que já trouxe à tona informações sensíveis sobre o funcionamento do governo anterior.

Quem é Mauro Cid e qual sua importância nas investigações?

Mauro Cid foi uma das figuras mais próximas de Jair Bolsonaro durante o mandato presidencial. Como ajudante de ordens, ele tinha acesso direto ao presidente e participava de reuniões e eventos oficiais, sendo responsável por agendar compromissos e intermediar conversas. Em 2023, após ser preso preventivamente, firmou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, tornando-se uma peça-chave para as investigações. Em troca de informações, obteve benefícios legais, como a possibilidade de redução de pena e o direito de cumprir prisão domiciliar. Seu acordo foi homologado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e desde então Cid tem prestado depoimentos periódicos.

O que Mauro Cid já revelou em depoimentos anteriores?

Nos depoimentos já realizados, Cid detalhou a estrutura de funcionamento do gabinete presidencial e apontou possíveis irregularidades. Entre os pontos já esclarecidos estão a participação de militares em reuniões sobre a situação eleitoral, a discussão de minutas de decretos para intervenção no processo eleitoral e a tentativa de pressionar comandantes das Forças Armadas a aderirem a um plano de golpe. Além disso, Cid confirmou a existência de um esquema de venda de presentes oficiais recebidos pelo ex-presidente, incluindo joias e relógios de luxo, cujo valor é estimado em milhões de reais. Ele também forneceu detalhes sobre a falsificação de certificados de vacinação contra a Covid-19, que teriam sido emitidos para Bolsonaro e sua filha, permitindo que viajassem aos Estados Unidos com documentação irregular.

As investigações em curso: três frentes principais

O novo depoimento de Cid ocorre em um momento de intensificação das apurações no STF. As investigações podem ser divididas em três grandes eixos:

  • Suposta tentativa de golpe de Estado: A Polícia Federal apura se houve uma organização criminosa que atuou para desacreditar o sistema eleitoral e articular um golpe após as eleições de 2022. Cid é testemunha central nesse inquérito, pois participou de reuniões no Palácio do Alvorada onde teriam sido discutidas medidas extremas.
  • Desvio de joias e presentes oficiais: Investiga-se o desvio de bens de alto valor recebidos por Bolsonaro de governos estrangeiros. Cid teria atuado como intermediário na venda de alguns itens, e seu depoimento pode esclarecer a cadeia de comando e a destinação dos recursos.
  • Falsificação de certificados de vacinação: A PF investiga a inserção de dados falsos nos sistemas do Ministério da Saúde para que Bolsonaro e sua filha obtivessem comprovantes de vacinação contra a Covid-19. Cid já admitiu ter participado da adulteração, e novas perguntas podem surgir sobre a participação de outros assessores.

Expectativas para a oitiva de terça-feira

Espera-se que Mauro Cid detalhe conversas e encontros que teve com o ex-presidente e com outros membros do governo, especialmente sobre os eventos ocorridos entre o final de 2022 e o início de 2023. A defesa de Cid sinalizou que ele deve manter o teor das declarações anteriores, mas pode acrescentar novas informações que surgiram após a análise de documentos apreendidos, como mensagens de aplicativos e e-mails. A oitiva deve durar várias horas e será realizada na sede da Polícia Federal em Brasília, com a presença de advogados e representantes do Ministério Público. Entre os principais pontos que os investigadores pretendem esclarecer estão: o conhecimento de Bolsonaro sobre os planos golpistas, a origem das joias e a participação de outros assessores na falsificação dos certificados.

Implicações políticas e jurídicas

O depoimento de Mauro Cid pode fornecer elementos que fortaleçam as acusações contra Bolsonaro e seus aliados. Na esfera política, o caso continua a gerar forte repercussão, com parlamentares de ambos os lados acompanhando de perto os desdobramentos. Juristas apontam que, se as declarações de Cid forem consistentes e corroboradas por outras provas, elas poderão ser usadas em eventuais ações penais no STF. Além disso, a oitiva ocorre em meio a debates sobre a legalidade e a eficácia das delações premiadas no sistema de justiça brasileiro. Para o governo Lula, o avanço das investigações representa um contraponto ao discurso de perseguição política frequentemente utilizado pela oposição.

Perguntas frequentes sobre o caso

  • Por que Mauro Cid vai depor novamente? A Polícia Federal requisitou um novo depoimento para esclarecer pontos que ainda não foram totalmente explicados, especialmente sobre a participação de outras autoridades. A cada oitiva, Cid pode complementar ou corrigir informações prestadas anteriormente.
  • O que pode acontecer se ele se recusar a responder? Caso se recuse a colaborar, Cid pode perder os benefícios do acordo de delação, além de poder ser responsabilizado por obstrução da justiça. A quebra do acordo implicaria a perda da prisão domiciliar e o retorno à prisão preventiva.
  • Esse depoimento pode ser o último? Não há garantias. Dependendo do avanço das investigações, novas oitivas podem ser agendadas. O acordo de colaboração prevê que Cid deve prestar esclarecimentos sempre que convocado.
  • Como a defesa de Bolsonaro reage? A defesa do ex-presidente tem afirmado que as acusações são infundadas e que não houve qualquer irregularidade. O depoimento de Cid é visto como mais um capítulo da investigação, mas os advogados de Bolsonaro contestam a credibilidade do delator.
  • Qual o papel do STF nesse caso? O ministro Alexandre de Moraes é o relator dos inquéritos no STF e autoriza as diligências, incluindo depoimentos. A homologação do acordo de Cid também passou pelo STF, que monitora o cumprimento das cláusulas.
  • O que pode acontecer com Bolsonaro se as acusações forem confirmadas? Caso as investigações confirmem a participação de Bolsonaro em atos ilícitos, ele poderá ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República e se tornar réu no STF. As penas podem variar de multas a reclusão, dependendo dos crimes apurados.

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