Novo consórcio Rio Barcas assume operação em fevereiro
O sistema de barcas do Rio de Janeiro, que transporta milhares de passageiros todos os dias entre a capital, Niterói, Paquetá, Ilha do Governador e outras localidades da Baía de Guanabara, terá um novo operador a partir de fevereiro de 2025. O contrato com o atual concessionário se encerra no fim de janeiro, e o consórcio vencedor da licitação promete modernizar a frota, melhorar a frequência e ampliar a integração com outros meios de transporte.
Contexto da licitação
O serviço de barcas vinha sendo operado pela mesma concessionária desde 1998, sob sucessivos contratos de prorrogação. No entanto, após anos de reclamações de usuários sobre atrasos, embarcações antigas e superlotação, o governo do estado do Rio de Janeiro decidiu realizar uma nova concorrência pública. O processo licitatório, conduzido pela Secretaria de Transportes, durou cerca de 18 meses e contou com a participação de três consórcios nacionais e internacionais.
O edital estabeleceu exigências rigorosas: renovação de pelo menos 40% da frota nos primeiros dois anos, implantação de sistema de ar-condicionado em todas as embarcações, conectividade Wi-Fi a bordo e acessibilidade total nos terminais. Também foi definido um teto tarifário, com reajustes baseados em índices oficiais, para evitar aumentos abusivos.
Quem é o novo consórcio
O grupo vencedor é formado por empresas brasileiras do setor naval e de logística, com experiência em operações portuárias e transporte aquaviário. Embora o nome oficial do consórcio ainda não tenha sido amplamente divulgado, fontes do governo confirmam que a proposta apresentada foi a que melhor combinou valor de outorga, plano de investimentos e cronograma de melhorias.
O contrato terá duração de 25 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco, mediante cumprimento de metas de qualidade. O valor total estimado dos investimentos obrigatórios é de aproximadamente R$ 1,8 bilhão ao longo do período, incluindo a construção de dois novos estaleiros para manutenção das embarcações.
O que muda para o passageiro
Os usuários das barcas devem sentir as primeiras mudanças já nos primeiros meses da nova operação. A principal novidade é a entrada em operação de seis novas embarcações até o final de 2025, com capacidade para 1.200 passageiros cada, equipadas com ar-condicionado, poltronas reclináveis e áreas para bicicletas. As atuais catraias e barcas mais antigas serão gradualmente desativadas.
Nos terminais, haverá reforma dos pieres, instalação de elevadores e rampas para pessoas com deficiência, além de novos sistemas de bilhetagem eletrônica compatíveis com o cartão Riocard. O novo consórcio também se comprometeu a implementar o chamado "intervalo máximo de 15 minutos" nos horários de pico nas linhas Rio–Niterói e Rio–Paquetá.
A tarifa, inicialmente, será mantida no mesmo valor praticado em janeiro de 2025, com correção anual pela inflação. Passageiros que utilizam integração com ônibus municipais e intermunicipais continuarão a ter desconto na baldeação.
Cronograma da transição
A transferência da operação ocorrerá na virada do mês de fevereiro, sem interrupção do serviço. Durante a primeira semana, equipes do novo consórcio e do atual trabalharão em conjunto para garantir a continuidade das viagens e a transferência de sistemas de controle. Todos os funcionários do antigo operador serão absorvidos pelo novo, com os mesmos salários e benefícios, conforme cláusula contratual.
A partir de março, terão início as obras de reforma dos terminais da Praça XV e de Niterói, com previsão de conclusão para o segundo semestre. As novas embarcações começarão a ser entregues a partir de abril, e a primeira delas deve entrar em operação ainda no primeiro semestre.
Desafios e expectativas
Especialistas em mobilidade urbana avaliam que a mudança representa uma oportunidade de ouro para o governo estadual retomar o controle de qualidade do transporte aquaviário. No entanto, alertam que o sucesso dependerá da fiscalização rigorosa dos investimentos e do cumprimento das metas contratuais. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Rio de Janeiro (Agenersa) será a responsável pelo monitoramento, com divulgação trimestral de relatórios de desempenho.
Para os passageiros, a expectativa é de um serviço mais digno. "Há anos sofremos com atrasos e barcas quebradas. Se a promessa se cumprir, será uma revolução no nosso dia a dia", afirma a moradora de Niterói, Carla dos Santos, que utiliza a barca diariamente para trabalhar no Rio.
O governo do estado, por sua vez, espera que a nova concessão sirva de modelo para futuras licitações no setor de transportes, como as linhas de ônibus intermunicipais e o metrô.
Perguntas frequentes sobre o novo consórcio Rio Barcas
1. Quando exatamente começa a nova operação?
A partir de 1º de fevereiro de 2025, o novo consórcio assume integralmente a operação. Não haverá paralisação do serviço durante a transição.
2. As tarifas vão aumentar?
Inicialmente, a tarifa permanece a mesma de janeiro de 2025. Os reajustes anuais seguirão o índice contratual (IPCA), aplicados sempre em janeiro.
3. Os cartões de bilhetagem eletrônica continuarão valendo?
Sim, o Riocard e demais meios eletrônicos continuam sendo aceitos. A nova operadora vai atualizar os validadores para maior agilidade.
4. As linhas e horários serão mantidos?
Todas as linhas atuais serão mantidas. Nos horários de pico, a frequência será ampliada para no máximo 15 minutos entre as partidas.
5. Como serão feitas as reclamações?
O novo consórcio disponibilizará central telefônica, aplicativo e ouvidoria online. A Agenersa também manterá canal de denúncias.
