OMS mantém pólio como emergência global
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu manter a poliomielite como emergência de saúde pública de interesse internacional (ESPII). A classificação, vigente desde 2014, foi reafirmada após reunião do Comitê de Emergência, que considerou que o risco de transmissão do poliovírus ainda representa uma ameaça significativa à saúde global, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal e conflitos armados.
O que é a poliomielite e por que a OMS a considera emergência?
A poliomielite, ou pólio, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente crianças menores de cinco anos. O vírus invade o sistema nervoso e pode causar paralisia irreversível em questão de horas. Não há tratamento curativo, mas a doença é completamente prevenível por meio de vacinação segura e eficaz.
A OMS declarou a pólio como ESPII em 2014, após a propagação internacional do poliovírus selvagem e a dificuldade de controlar surtos em países que já haviam eliminado a doença. A medida permite coordenar respostas globais, mobilizar recursos e intensificar a vigilância epidemiológica.
Onde a pólio ainda circula?
Atualmente, o poliovírus selvagem é endêmico apenas no Afeganistão e no Paquistão, onde a transmissão nunca foi interrompida. No entanto, surtos de poliovírus derivado da vacina (cVDPV, na sigla em inglês) têm ocorrido em países da África, Ásia e Oriente Médio, principalmente onde a cobertura vacinal é baixa. Em 2023 e 2024, casos foram registrados em nações como Moçambique, Indonésia e República Democrática do Congo, acendendo o alerta para o risco de reintrodução em áreas livres.
A OMS destaca que a circulação do poliovírus, seja selvagem ou derivado da vacina, representa um risco permanente enquanto o vírus não for erradicado globalmente.
Esforços de erradicação e principais desafios
A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), liderada pela OMS, UNICEF, Rotary International e outros parceiros, já reduziu a incidência da doença em mais de 99% desde 1988. Os principais pilares da estratégia são a vacinação em massa, a vigilância de casos e a resposta rápida a surtos.
Os desafios, no entanto, persistem: conflitos armados dificultam o acesso de vacinadores a comunidades isoladas; a desinformação e a hesitação vacinal reduzem a adesão às campanhas; a pandemia de COVID-19 causou atrasos significativos na imunização de rotina, deixando milhões de crianças desprotegidas. Além disso, o poliovírus derivado da vacina oral (OPV) pode, em raras ocasiões, sofrer mutação e causar surtos em populações não imunizadas, exigindo a transição para vacinas mais estáveis.
A importância da vigilância e da alta cobertura vacinal
Para evitar o ressurgimento da pólio, a OMS recomenda que todos os países mantenham taxas de vacinação acima de 95% com a vacina inativada (VIP) ou oral (VOP), conforme o calendário nacional. A vigilância de casos de paralisia flácida aguda (PFA) é essencial para detectar rapidamente qualquer introdução do vírus.
Mesmo os países certificados como livres da pólio precisam manter a imunidade de rebanho, pois o vírus pode ser importado de regiões endêmicas. O Brasil, por exemplo, não registra casos desde 1989, mas a queda na cobertura vacinal nos últimos anos acendeu o sinal de alerta entre as autoridades de saúde.
Perspectivas para a erradicação total
A OMS e seus parceiros seguem empenhados na meta de erradicar a pólio até 2026-2028. Novas vacinas orais monovalentes (nOPV2), mais estáveis geneticamente, estão sendo implantadas para reduzir o risco de surgimento de cepas derivadas. O fortalecimento dos sistemas de saúde, o engajamento comunitário e a coordenação transfronteiriça são apontados como fatores críticos para o sucesso.
Enquanto o poliovírus circular em algum lugar do mundo, nenhum país estará completamente seguro. Por isso, a manutenção do status de emergência global é vista como necessária para manter a atenção política e financeira até que a erradicação seja alcançada.
Perguntas frequentes sobre a pólio
- A pólio tem cura?
- Não existe cura para a poliomielite. O tratamento é paliativo, focado em aliviar os sintomas e prevenir complicações. A única forma de prevenção é a vacinação.
- Quem deve se vacinar contra a pólio?
- Todas as crianças menores de cinco anos devem receber as doses previstas no calendário básico de vacinação, conforme orientação do Ministério da Saúde. Adultos não vacinados também podem se imunizar.
- Como saber se meu filho está protegido?
- A proteção é conferida pelo esquema vacinal completo. É importante verificar a caderneta de vacinação e manter as doses em dia. Caso haja dúvida, procure um posto de saúde.
- O que fazer em caso de suspeita de pólio?
- Qualquer caso de paralisia flácida aguda em crianças deve ser notificado imediatamente às autoridades de saúde para investigação e coleta de amostras. A rápida detecção é essencial para conter possíveis surtos.
