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Policiais descobrem túnel em presídio de Bangu que seria usado em fuga

14 de Janeiro de 2025 | Jurema em Foco

Agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro descobriram, durante uma operação de inteligência na manhã desta terça-feira (14), um túnel em estágio avançado de escavação no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste da capital fluminense. A sofisticada estrutura subterrânea ligava uma das alas de segurança máxima a uma área externa desabitada e, segundo as investigações, seria utilizada em uma tentativa de fuga em massa de detentos de alta periculosidade.

A Descoberta do Túnel pela Inteligência Penitenciária

A descoberta ocorreu por volta das 4h da manhã, durante uma varredura de rotina realizada pelo Grupo de Intervenção Tática (GIT) da Seap, com o apoio de cães farejadores e sensores de solo. Os agentes perceberam uma diferença significativa na compactação do terreno em um trecho próximo ao muro do presídio. Imediatamente, o perímetro foi isolado e uma escavação controlada foi iniciada. Em poucas horas, a equipe localizou a abertura do túnel, que estava cuidadosamente camuflada sob uma fina camada de cimento e terra. A operação foi considerada um grande sucesso da inteligência penitenciária, que já monitorava movimentações suspeitas dentro da facção criminosa que domina a unidade.

A Estrutura e a Engenharia do Túnel

O que mais impressionou os investigadores foi a qualidade da construção. O túnel media aproximadamente 40 metros de extensão, o suficiente para transpor os muros do complexo, a rua de serviço e emergir em uma área de mata densa. A galeria subterrânea era reforçada por vigas de madeira para evitar desabamentos e possuía um sistema de iluminação elétrica improvisado, puxado diretamente da rede do presídio. Canos de PVC perfurados serviam como dutos de ventilação para garantir a respiração durante a escavação, que pode ter levado meses para ser concluída. Dentro do túnel, os agentes encontraram ferramentas como picaretas, pás, enxadas e até mesmo um carrinho de mão artesanal utilizado para retirar a terra.

A Investigações e os Responsáveis

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DRCAP), instaurou um inquérito para investigar o caso. As principais linhas de investigação apontam para a participação direta de uma facção criminosa com forte presença no sistema prisional fluminense. Os detentos que ocupavam as celas mais próximas à boca do túnel já foram identificados e transferidos para unidades disciplinares. As imagens das câmeras de segurança dos últimos 90 dias foram requisitadas para identificar os responsáveis pela obra e possíveis agentes penitenciários que possam ter facilitado a escavação. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também acompanha o caso de perto.

Contexto: Histórico de Escavações no Complexo de Gericinó

A descoberta de túneis no Complexo de Gericinó, popularmente conhecido como Bangu, não é um fato isolado, mas acende um alerta para a necessidade de modernização constante do sistema carcerário. O complexo, que abriga algumas das maiores lideranças do crime organizado do país, já foi palco de diversas tentativas de fuga, algumas bem-sucedidas e outras frustradas pela inteligência. Especialistas em segurança pública apontam que a superlotação e a falta de investimento em tecnologia de monitoramento de subsolo são fatores que contribuem para que os detentos invistam tempo e recursos em escavações. A utilização de georradares e sensores sísmicos é apontada como a solução mais eficaz para detectar esses túneis em estágio inicial, antes que se tornem uma ameaça real à segurança.

Medidas Imediatas e Reforço na Segurança

Após a descoberta, a Seap anunciou um pacote de medidas emergenciais para todo o complexo. Um mutirão de revistas está sendo realizado em todas as unidades prisionais de Gericinó para buscar outros possíveis túneis. A revista contará com o uso de cães farejadores, detectores de metais e equipamentos de raio-X portáteis. Além disso, a corregedoria da pasta vai investigar a conduta dos agentes penitenciários que estavam de plantão nos últimos meses para verificar se houve conivência ou omissão. Novos equipamentos de escâner de solo devem ser adquiridos com urgência. O túnel encontrado será periciado pela Polícia Civil e, em seguida, será completamente destruído e aterrado para evitar seu uso futuro.

Perguntas Frequentes sobre a Segurança em Presídios

Como os presos conseguem cavar um túnel sem serem vistos?

As escavações geralmente são feitas em horários de menor movimentação, como durante o banho de sol noturno ou finais de semana. A terra retirada é escondida em sacos e descartada aos poucos em sistemas de esgoto ou lixo comum, exigindo uma logística complexa dentro da unidade.

O que acontece com os detentos envolvidos?

Eles são enquadrados por tentativa de fuga e dano ao patrimônio público. Como punição, perdem o direito a visitação e saída temporária, são isolados em celas disciplinares e podem ser transferidos para presídios federais de segurança máxima.

Qual o destino do túnel encontrado?

Após a perícia completa da Polícia Civil para coleta de vestígios, o túnel será implodido e aterrado pelas equipes de engenharia da Seap para garantir que não possa ser reutilizado ou servir de inspiração para novas tentativas.

A tecnologia pode prevenir a construção de novos túneis?

Sim. Sensores sísmicos, georradares e microfones de solo são tecnologias que permitem detectar escavações em tempo real. Esses equipamentos são capazes de identificar vibrações e alterações no solo, agilizando a resposta das forças de segurança antes que o túnel seja concluído.

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