Policiais descobrem túnel em presídio de Bangu que seria usado em fuga
Agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro descobriram, durante uma operação de inteligência na manhã desta terça-feira (14), um túnel em estágio avançado de escavação no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste da capital fluminense. A sofisticada estrutura subterrânea ligava uma das alas de segurança máxima a uma área externa desabitada e, segundo as investigações, seria utilizada em uma tentativa de fuga em massa de detentos de alta periculosidade.
A Descoberta do Túnel pela Inteligência Penitenciária
A descoberta ocorreu por volta das 4h da manhã, durante uma varredura de rotina realizada pelo Grupo de Intervenção Tática (GIT) da Seap, com o apoio de cães farejadores e sensores de solo. Os agentes perceberam uma diferença significativa na compactação do terreno em um trecho próximo ao muro do presídio. Imediatamente, o perímetro foi isolado e uma escavação controlada foi iniciada. Em poucas horas, a equipe localizou a abertura do túnel, que estava cuidadosamente camuflada sob uma fina camada de cimento e terra. A operação foi considerada um grande sucesso da inteligência penitenciária, que já monitorava movimentações suspeitas dentro da facção criminosa que domina a unidade.
A Estrutura e a Engenharia do Túnel
O que mais impressionou os investigadores foi a qualidade da construção. O túnel media aproximadamente 40 metros de extensão, o suficiente para transpor os muros do complexo, a rua de serviço e emergir em uma área de mata densa. A galeria subterrânea era reforçada por vigas de madeira para evitar desabamentos e possuía um sistema de iluminação elétrica improvisado, puxado diretamente da rede do presídio. Canos de PVC perfurados serviam como dutos de ventilação para garantir a respiração durante a escavação, que pode ter levado meses para ser concluída. Dentro do túnel, os agentes encontraram ferramentas como picaretas, pás, enxadas e até mesmo um carrinho de mão artesanal utilizado para retirar a terra.
A Investigações e os Responsáveis
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (DRCAP), instaurou um inquérito para investigar o caso. As principais linhas de investigação apontam para a participação direta de uma facção criminosa com forte presença no sistema prisional fluminense. Os detentos que ocupavam as celas mais próximas à boca do túnel já foram identificados e transferidos para unidades disciplinares. As imagens das câmeras de segurança dos últimos 90 dias foram requisitadas para identificar os responsáveis pela obra e possíveis agentes penitenciários que possam ter facilitado a escavação. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também acompanha o caso de perto.
Contexto: Histórico de Escavações no Complexo de Gericinó
A descoberta de túneis no Complexo de Gericinó, popularmente conhecido como Bangu, não é um fato isolado, mas acende um alerta para a necessidade de modernização constante do sistema carcerário. O complexo, que abriga algumas das maiores lideranças do crime organizado do país, já foi palco de diversas tentativas de fuga, algumas bem-sucedidas e outras frustradas pela inteligência. Especialistas em segurança pública apontam que a superlotação e a falta de investimento em tecnologia de monitoramento de subsolo são fatores que contribuem para que os detentos invistam tempo e recursos em escavações. A utilização de georradares e sensores sísmicos é apontada como a solução mais eficaz para detectar esses túneis em estágio inicial, antes que se tornem uma ameaça real à segurança.
Medidas Imediatas e Reforço na Segurança
Após a descoberta, a Seap anunciou um pacote de medidas emergenciais para todo o complexo. Um mutirão de revistas está sendo realizado em todas as unidades prisionais de Gericinó para buscar outros possíveis túneis. A revista contará com o uso de cães farejadores, detectores de metais e equipamentos de raio-X portáteis. Além disso, a corregedoria da pasta vai investigar a conduta dos agentes penitenciários que estavam de plantão nos últimos meses para verificar se houve conivência ou omissão. Novos equipamentos de escâner de solo devem ser adquiridos com urgência. O túnel encontrado será periciado pela Polícia Civil e, em seguida, será completamente destruído e aterrado para evitar seu uso futuro.
Perguntas Frequentes sobre a Segurança em Presídios
Como os presos conseguem cavar um túnel sem serem vistos?
As escavações geralmente são feitas em horários de menor movimentação, como durante o banho de sol noturno ou finais de semana. A terra retirada é escondida em sacos e descartada aos poucos em sistemas de esgoto ou lixo comum, exigindo uma logística complexa dentro da unidade.
O que acontece com os detentos envolvidos?
Eles são enquadrados por tentativa de fuga e dano ao patrimônio público. Como punição, perdem o direito a visitação e saída temporária, são isolados em celas disciplinares e podem ser transferidos para presídios federais de segurança máxima.
Qual o destino do túnel encontrado?
Após a perícia completa da Polícia Civil para coleta de vestígios, o túnel será implodido e aterrado pelas equipes de engenharia da Seap para garantir que não possa ser reutilizado ou servir de inspiração para novas tentativas.
A tecnologia pode prevenir a construção de novos túneis?
Sim. Sensores sísmicos, georradares e microfones de solo são tecnologias que permitem detectar escavações em tempo real. Esses equipamentos são capazes de identificar vibrações e alterações no solo, agilizando a resposta das forças de segurança antes que o túnel seja concluído.
