Queda de 1% do varejo em junho interrompe cinco meses de alta

O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1% em junho na comparação com maio, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de alta, segundo dados do IBGE. O resultado acende um alerta sobre o ritmo da atividade econômica e as perspectivas para o segundo semestre.

Contexto: cinco meses de crescimento

De janeiro a maio, o varejo brasileiro acumulava altas mensais impulsionadas por fatores como a melhora no mercado de trabalho, a liberação gradual de crédito e o controle da inflação nos primeiros meses do ano. O consumo das famílias vinha mostrando resiliência, sustentado por programas sociais e pelo crescimento da renda real. Os setores de supermercados, farmácias e materiais de construção lideraram os ganhos nesse período.

O que aconteceu em junho?

Em junho, as vendas no varejo caíram 1% em relação a maio, na série com ajuste sazonal. A queda foi puxada principalmente por setores como hipermercados, combustíveis e lubrificantes, e artigos de uso pessoal e doméstico. Na comparação com junho do ano anterior, ainda há crescimento, mas em ritmo menor.

O resultado veio abaixo do esperado por analistas de mercado, que projetavam estabilidade ou leve alta no mês. A interrupção da sequência positiva acendeu um sinal de alerta entre economistas, que passaram a revisar as projeções para o crescimento do varejo em 2025.

Fatores que explicam a queda

Diversos fatores contribuíram para o desempenho negativo de junho:

  • Juros elevados: a taxa Selic ainda em patamar alto encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias, especialmente em bens de maior valor.
  • Inflação persistente: embora tenha desacelerado, a inflação ainda pressiona itens essenciais como alimentos e combustíveis, comprometendo a renda disponível.
  • Endividamento: o nível de endividamento das famílias brasileiras permanece elevado, limitando a capacidade de consumo.
  • Efeito calendário: junho teve menos dias úteis devido a feriados, o que pode ter influenciado o resultado.
  • Clima adverso: as chuvas em algumas regiões podem ter afetado o fluxo de consumidores em lojas físicas.

Setores mais afetados

Entre os segmentos que mais contribuíram para a queda estão hipermercados e supermercados, combustíveis e lubrificantes, e móveis e eletrodomésticos. Também houve recuo em artigos farmacêuticos e de perfumaria. Por outro lado, alguns setores como livrarias e equipamentos de informática podem ter apresentado leve crescimento, compensando parcialmente o resultado agregado.

Perspectivas para o segundo semestre

Economistas consultados pelo Jurema em Foco avaliam que a queda de junho pode ser pontual, mas requer atenção. O cenário para o segundo semestre depende de fatores como a trajetória da Selic, a safra agrícola, as condições climáticas e o ambiente fiscal.

A expectativa é que o varejo se recupere gradualmente nos próximos meses, impulsionado por datas sazonais como Dia dos Pais, Black Friday e Natal. No entanto, a continuidade do arrefecimento da inflação e um eventual corte nos juros seriam fundamentais para sustentar o consumo.

Pontos principais

  • Vendas no varejo caíram 1% em junho ante maio, interrompendo cinco meses de alta.
  • Queda foi puxada por supermercados, combustíveis e móveis.
  • Juros altos, inflação e endividamento estão entre as causas.
  • Analistas veem possibilidade de recuperação no segundo semestre.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que causou a queda de 1% do varejo em junho?

A queda reflete uma combinação de fatores macroeconômicos, como juros elevados, inflação ainda pressionada, endividamento das famílias e efeitos sazonais. Setores como supermercados e combustíveis foram os que mais contribuíram para o resultado negativo.

A queda já era esperada pelo mercado?

Não totalmente. A maioria das projeções indicava estabilidade ou leve crescimento em junho. O resultado negativo surpreendeu analistas, que esperavam a manutenção da trajetória de alta observada nos meses anteriores.

O varejo deve se recuperar nos próximos meses?

As perspectivas são de recuperação gradual, apoiada por datas sazonais e possível afrouxamento monetário. Contudo, o cenário ainda é incerto e depende da evolução da inflação, dos juros e da confiança do consumidor.

Como a queda afeta a economia como um todo?

O varejo é um importante termômetro da atividade econômica. Uma queda nas vendas pode sinalizar desaceleração do consumo, que é um dos principais motores do PIB brasileiro. A interrupção da sequência de altas acende um alerta, mas não indica necessariamente uma recessão.

Quais setores foram mais afetados?

Os setores de hipermercados, combustíveis e móveis/eletrodomésticos foram os que mais contribuíram para a queda. Artigos farmacêuticos também tiveram leve recuo. Por outro lado, setores como livrarias e equipamentos de informática podem ter apresentado crescimento.

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