Realização de exames de retina no SUS cresce quase 50% desde 2019

O número de exames de retina realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou um crescimento expressivo desde 2019, com alta de quase 50% no período. Esse aumento reflete uma combinação de fatores: envelhecimento da população, maior prevalência de doenças crônicas como diabetes, e a expansão de políticas voltadas para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças oculares. Neste artigo, vamos explorar os dados, as causas desse avanço, os desafios que ainda persistem e responder às principais dúvidas sobre o tema.

Importância do exame de retina

O exame de retina, também conhecido como fundo de olho ou retinografia, é um procedimento fundamental para a detecção precoce de diversas doenças que podem levar à perda irreversível da visão. Entre elas estão a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), o glaucoma, o descolamento de retina e a retinopatia hipertensiva. Muitas dessas condições são silenciosas em estágios iniciais, e o exame regular permite identificar alterações antes que os sintomas apareçam, aumentando significativamente as chances de tratamento eficaz.

Possíveis causas do aumento

Vários fatores explicam o crescimento de quase 50% nos exames de retina no SUS desde 2019:

  • Envelhecimento populacional: O Brasil tem uma população cada vez mais idosa, e o risco de doenças oculares aumenta com a idade. A demanda por exames oftalmológicos, incluindo o de retina, cresce na mesma proporção.
  • Epidemia de diabetes: O diabetes é um dos principais problemas de saúde pública no país. A retinopatia diabética é uma complicação comum e grave, que pode ser prevenida ou retardada com o diagnóstico precoce. O aumento do número de diabéticos pressiona o sistema a realizar mais exames de rastreamento.
  • Ampliação do acesso: O SUS tem investido na descentralização do atendimento oftalmológico, com a instalação de retinógrafos em unidades básicas de saúde e a capacitação de profissionais. Campanhas como o “Agosto Verde” e o “Dia Nacional da Saúde Ocular” também contribuíram para conscientizar a população.
  • Incorporação tecnológica: A telemedicina e o uso de inteligência artificial na análise de imagens de retina têm permitido ampliar a cobertura, especialmente em regiões remotas. O programa “Teleoftalmologia” do SUS já atende milhares de pacientes à distância.
  • Recuperação pós-pandemia: Durante a pandemia de COVID-19, muitos exames eletivos foram suspensos. A retomada e o esforço para reduzir filas represadas também explicam parte do crescimento.

O papel do SUS na oftalmologia

O SUS oferece, de forma gratuita, consultas com oftalmologista, exames complementares e cirurgias oculares. A Política Nacional de Atenção em Oftalmologia estabelece diretrizes para organizar a rede de atendimento, desde a atenção primária até os centros de referência. A realização de exames de retina faz parte do protocolo de rastreamento de doenças como diabetes e glaucoma. A adoção de mutirões e a ampliação da jornada de trabalho em unidades especializadas têm ajudado a reduzir a fila de espera.

Desafios e perspectivas

Apesar do avanço, ainda existem obstáculos. As desigualdades regionais são marcantes: Norte e Nordeste têm menor oferta de exames em comparação ao Sudeste e Sul. O tempo de espera por uma consulta oftalmológica no SUS pode chegar a meses em algumas localidades. A falta de profissionais especializados, especialmente retinólogos, é outro gargalo. O governo federal tem buscado soluções, como o telediagnóstico e parcerias com organizações sociais.

Para o futuro, espera-se que a incorporação de novas tecnologias, como a inteligência artificial na leitura de retinografias, ajude a triar pacientes e priorizar os casos mais graves. Além disso, a prevenção primária — controle do diabetes, hipertensão e hábitos saudáveis — continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a carga de doenças oculares.

Benefícios dos exames regulares de retina

  • Detecta precocemente doenças silenciosas que podem levar à cegueira
  • Permite tratamento oportuno, evitando complicações
  • Ajuda no controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão
  • É um procedimento rápido, indolor e não invasivo
  • Pode ser realizado gratuitamente pelo SUS

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é exame de retina?

É um exame que permite visualizar o fundo do olho, incluindo a retina, o nervo óptico e os vasos sanguíneos. Pode ser feito com um oftalmoscópio ou com uma câmera especial (retinógrafo).

Preciso de encaminhamento para fazer o exame pelo SUS?

Geralmente, sim. O paciente deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para consulta com clínico geral ou enfermeiro, que fará o encaminhamento ao oftalmologista se houver suspeita de alteração.

Quem deve fazer o exame de retina?

Pessoas com diabetes, hipertensão, histórico familiar de doenças oculares, acima de 60 anos, ou que apresentem sintomas como visão embaçada, manchas no campo visual ou dificuldade de adaptação à luz.

O exame dói?

Não. O exame é indolor. Pode ser necessário dilatar a pupila com colírio, o que causa sensibilidade à luz por algumas horas.

Como está o acesso ao exame no SUS atualmente?

Houve um aumento significativo na oferta desde 2019, mas ainda há filas em algumas regiões. O governo tem investido em telemedicina e mutirões para ampliar o acesso.

O crescimento de quase 50% nos exames de retina realizados pelo SUS é um indicador positivo, mas deve ser acompanhado de investimentos contínuos para garantir que todos os brasileiros tenham acesso igualitário ao diagnóstico precoce e ao tratamento das doenças oculares. A prevenção e a detecção precoce continuam sendo as melhores ferramentas para preservar a visão e a qualidade de vida.