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São Paulo confirma primeiro caso de febre amarela em humano em 2025

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou, neste mês de janeiro, o primeiro caso de febre amarela silvestre em um ser humano no estado em 2025. O paciente, um homem adulto residente na região metropolitana de Campinas, foi infectado durante uma visita a uma área de mata na região. Ele foi prontamente atendido, passou por internação e já recebeu alta hospitalar, apresentando boa evolução clínica. Imediatamente após a confirmação, as autoridades sanitárias deflagraram as medidas de controle e bloqueio vacinal na área da provável infecção.

O caso e as ações de vigilância

A confirmação do caso acionou todos os protocolos de vigilância epidemiológica. Equipes da SES-SP, em conjunto com as secretarias municipais de saúde, realizaram o bloqueio vacinal em um raio de até 5 km ao redor do local onde o paciente provavelmente contraiu o vírus. Pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto foram imunizadas como medida preventiva emergencial.

Além disso, foram intensificadas a busca ativa de novos casos suspeitos e a captura de mosquitos para análise entomológica, a fim de identificar a possível circulação viral entre os vetores silvestres. "A febre amarela é uma doença grave, mas 100% prevenível com a vacina. Este caso serve como um alerta para que as pessoas que ainda não se vacinaram, ou que vão viajar para áreas de risco, busquem a imunização o quanto antes", destacou a coordenadora de Vigilância em Saúde da SES-SP.

Ciclo de transmissão: silvestre versus urbano

A febre amarela é uma doença viral hemorrágica transmitida pela picada de mosquitos infectados. É fundamental entender os dois ciclos de transmissão da doença para saber como se proteger adequadamente.

  • Ciclo Silvestre: É o ciclo natural da doença. O vírus circula entre mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes (que vivem exclusivamente em matas) e primatas não humanos (macacos). O homem atua como um hospedeiro acidental, sendo infectado ao adentrar essas áreas sem a devida proteção. Este é o ciclo responsável pelos casos atualmente registrados no Brasil.
  • Ciclo Urbano: Ocorre quando o vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, chikungunya e zika, tendo o homem como principal hospedeiro. O Brasil não registra a transmissão da febre amarela urbana desde 1942. Entretanto, o risco de reurbanização do vírus existe, especialmente em cidades com alta infestação do mosquito e baixa cobertura vacinal.

O estado de São Paulo possui extensas áreas de mata atlântica e regiões de transição ecológica, consideradas áreas de risco para a transmissão silvestre, principalmente durante o verão, quando há maior proliferação dos mosquitos vetores e maior fluxo de pessoas em atividades de ecoturismo e lazer.

Sintomas: fique atento aos sinais

O período de incubação da febre amarela varia de 3 a 6 dias após a picada do mosquito infectado. Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças, como dengue e gripe, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.

  • Sintomas leves a moderados: Febre alta e súbita, calafrios, dor de cabeça intensa, dores musculares (especialmente nas costas), náuseas, vômitos, cansaço extremo e prostração.
  • Sintomas graves: Cerca de 15% dos pacientes evoluem para a forma grave da doença. Os sinais de alerta incluem icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos, que dá nome à doença), hemorragias (gengivas, nariz, pele), insuficiência hepática e renal agudas, além de comprometimento do sistema nervoso central. A taxa de letalidade na forma grave pode chegar a 50%.

Ao apresentar qualquer um desses sintomas, especialmente se houver histórico de visita a áreas de mata ou rural nos dias anteriores, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar o médico sobre o local onde esteve para que o diagnóstico seja considerado.

Prevenção: a vacina é a melhor defesa

A vacina contra a febre amarela é a principal e mais eficaz ferramenta de prevenção. A imunização é oferecida gratuitamente durante todo o ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

  • Esquema de dose única: Desde 2017, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil adota o esquema de dose única para a vida inteira. Uma única dose é suficiente para garantir proteção duradoura e eficaz.
  • Público-alvo: A vacina é recomendada para todas as pessoas a partir dos 9 meses de idade que residem ou vão viajar para áreas com recomendação de vacina, o que inclui praticamente todo o território nacional.
  • Prazo para viajantes: É essencial tomar a vacina pelo menos 10 dias antes de se deslocar para áreas de mata ou de risco, que é o tempo necessário para o desenvolvimento da imunidade protetora.
  • Contraindicações: A vacina é contraindicada para bebês menores de 6 meses, gestantes (salvo em situações de alto risco, com avaliação médica rigorosa), pessoas com imunossupressão grave, histórico de alergia grave a componentes da vacina (como o ovo) ou doenças do timo.

Além da vacinação, o uso de repelentes, roupas de manga comprida e calças, e a permanência em áreas bem teladas são medidas adicionais importantes para quem frequenta regiões de mata.

Perguntas Frequentes sobre Febre Amarela

1. Febre amarela tem cura?
Não existe um medicamento antiviral específico para tratar a febre amarela. O tratamento é de suporte, focado no alívio dos sintomas, na hidratação e no suporte às funções vitais. Pacientes com formas graves necessitam de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento constante.
2. Como posso saber se a vacina é segura?
A vacina contra a febre amarela é extremamente segura e eficaz. Os eventos adversos graves são muito raros. Os efeitos mais comuns são leves e passageiros, como dor no local da injeção, febre baixa e mal-estar. Os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos.
3. Qual a diferença entre febre amarela e dengue?
Embora ambas sejam transmitidas por mosquitos e causem febre, a febre amarela, na sua forma grave, se destaca pela icterícia e pelo comprometimento hepático e renal severo. A dengue costuma causar mais dores no corpo e atrás dos olhos, além de sangramentos mais frequentes. O diagnóstico laboratorial é essencial para diferenciar as doenças.
4. Encontrei um macaco morto na minha região. O que devo fazer?
Macacos são considerados sentinelas da febre amarela. Eles não transmitem a doença diretamente para os humanos, mas a morte de primatas pode indicar a circulação do vírus na região. Ao encontrar um macaco morto, não toque no animal e comunique imediatamente a Vigilância Epidemiológica do seu município.
5. A febre amarela pode voltar a circular nas grandes cidades?
O risco de reurbanização da febre amarela existe e é monitorado constantemente pelas autoridades de saúde. A reintrodução do vírus no ciclo urbano depende da presença do Aedes aegypti e de uma baixa cobertura vacinal na população. Manter a vacinação em dia é a principal forma de evitar este cenário.