Serviços crescem 1% de agosto para setembro, impulsionados por transportes e TI

Publicado em outubro de 2024

O volume de serviços no Brasil registrou crescimento de 1% na passagem de agosto para setembro, de acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado positivo foi influenciado principalmente pelo desempenho dos setores de transportes, tecnologia da informação e serviços prestados às famílias. O avanço mensal interrompe um período de estabilidade e reforça a trajetória de recuperação do setor terciário, que representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Principais Destaques

  • Volume de serviços cresceu 1% em setembro ante agosto, segundo o IBGE.
  • Transportes, TI e serviços às famílias lideraram o avanço.
  • Na comparação com setembro de 2023, o setor acumula alta de 2,8%.
  • O segmento de transportes teve o maior impacto positivo, sustentado pela logística e mobilidade urbana.
  • Serviços de tecnologia da informação seguem em expansão acelerada, impulsionados pela digitalização.
  • Mercado de trabalho formal do setor continua aquecido, favorecendo a renda e o consumo das famílias.

Contexto do Crescimento

O setor de serviços tem mostrado resiliência ao longo de 2024, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, com taxas de juros ainda elevadas — a Selic mantém-se em dois dígitos — e incertezas quanto ao arcabouço fiscal. A alta de 1% em setembro sinaliza uma retomada do ritmo de expansão após meses de estabilidade. A geração de empregos formais no setor segue positiva, o que sustenta a renda disponível da população e estimula o consumo de serviços presenciais e digitais.

De acordo com analistas, o resultado da PMS reflete não apenas a demanda reprimida por serviços, mas também os investimentos das empresas em digitalização e logística. A melhora do mercado de trabalho e o aumento real da massa salarial nos últimos meses têm contribuído para a confiança do consumidor e das empresas.

Atividades que Mais Contribuíram

Entre os cinco grandes grupos pesquisados pela PMS, três apresentaram crescimento na passagem de agosto para setembro:

Transportes e Logística

O setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio foi o que mais contribuiu para o resultado positivo. O aumento no volume de cargas reflete o dinamismo do comércio eletrônico e da produção industrial. Já o transporte de passageiros, especialmente o aéreo e o rodoviário intermunicipal, mostrou recuperação gradual, impulsionado pelo turismo de negócios e lazer.

Tecnologia da Informação e Comunicação

Os serviços de informação e comunicação mantiveram ritmo acelerado de crescimento. O desenvolvimento de softwares, consultoria em TI, telecomunicações e serviços baseados em nuvem foram os destaques. A transformação digital em curso nas empresas brasileiras, somada à expansão do home office e do ensino a distância, continua gerando demanda robusta por esses serviços.

Serviços Prestados às Famílias

Os serviços voltados às famílias — que incluem hotéis, bares, restaurantes, atividades culturais e de lazer — também contribuíram para o avanço mensal. O aumento da ocupação e da renda, aliado à inflação mais controlada em alimentação fora do domicílio, tem favorecido o consumo nesse segmento. Eventos sazonais, como o início da primavera e feriados regionais, também ajudaram a impulsionar a demanda.

Comparação com o Ano Anterior

Na comparação com setembro de 2023, o volume de serviços acumula alta de 2,8%. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão é de 1,9%, consolidando uma trajetória de recuperação gradual. Embora o ritmo de crescimento ainda esteja abaixo do observado em 2022 — quando o setor se beneficiava da reabertura pós-pandemia — a tendência é de estabilização e avanço moderado. A base de comparação elevada e os juros altos explicam a desaceleração em relação ao ano passado.

Perspectivas Futuras

As perspectivas para o setor de serviços permanecem cautelosamente otimistas para os próximos meses. A geração de empregos formais no setor continua aquecida, com destaque para vagas em tecnologia, logística e saúde. O avanço da digitalização das empresas e o crescimento do comércio eletrônico devem continuar impulsionando a demanda por serviços de TI e transporte. No entanto, a inflação nos custos operacionais — especialmente energia, combustíveis e aluguel — e a política monetária restritiva são fatores que podem limitar um crescimento mais acelerado.

Além disso, o cenário fiscal e as discussões sobre a regulamentação da reforma tributária podem gerar incertezas no curto prazo. Por outro lado, a expectativa de cortes graduais na Selic ao longo de 2025 e a melhora do crédito podem favorecer o consumo de serviços de maior valor agregado. O setor de serviços deve continuar sendo o principal motor da economia brasileira, sustentado pela resiliência do mercado de trabalho e pela demanda digital.

Perguntas Frequentes

O que é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)?

A PMS é uma pesquisa realizada pelo IBGE que acompanha o comportamento conjuntural do setor de serviços no Brasil. Ela coleta dados de empresas formalmente constituídas com 20 ou mais pessoas ocupadas, abrangendo cinco grandes grupos: serviços de transportes, serviços de informação e comunicação, serviços profissionais e administrativos, serviços prestados às famílias, e outros serviços. A pesquisa fornece indicadores de receita nominal e volume de serviços, sendo referência para a análise do setor terciário.

Por que o setor de serviços é tão importante para a economia?

O setor de serviços é o maior segmento da economia brasileira, respondendo por cerca de 70% do PIB e empregando a maior parte da população economicamente ativa. Seu desempenho impacta diretamente a geração de empregos, a renda das famílias, o consumo e a arrecadação de impostos. Um crescimento robusto e sustentado do setor é essencial para o desenvolvimento econômico e social do país.

Quais atividades fazem parte do setor de serviços?

O setor abrange uma ampla gama de atividades, incluindo transportes e logística, tecnologia da informação e comunicação, serviços financeiros, saúde, educação, turismo, hotelaria, alimentação, serviços profissionais e administrativos, entretenimento e cuidados pessoais. É um setor diversificado, que atende tanto empresas quanto consumidores finais, e que se adapta rapidamente às mudanças tecnológicas e de comportamento.

O que significa o crescimento de 1% no setor para o consumidor?

O crescimento do setor de serviços geralmente sinaliza uma economia aquecida, com mais consumo e oferta de empregos. Para o consumidor, isso pode se traduzir em maior oferta de serviços, mais opções no mercado e, em alguns casos, preços mais competitivos. No entanto, o impacto imediato depende do segmento específico e das condições de oferta e demanda de cada atividade.

Quais são os principais riscos para o setor de serviços em 2025?

Entre os principais riscos estão a manutenção de juros elevados por mais tempo, a inflação de custos operacionais (energia, combustíveis, aluguel), a volatilidade cambial e as incertezas fiscais. Além disso, a recuperação do mercado de trabalho pode ser prejudicada se o ritmo de crescimento econômico desacelerar. No entanto, a tendência de digitalização e a resiliência do consumo devem ajudar a mitigar esses riscos.