Sistema socioeducativo brasileiro são miniprisões, diz ativista

Por Redação | Jurema em Foco

Uma afirmação polêmica reacendeu o debate sobre a situação dos adolescentes em conflito com a lei no Brasil. Ao classificar as unidades de internação como "miniprisões", um ativista de direitos humanos expôs a dura realidade de um sistema que, ao invés de ressocializar, frequentemente aprofunda ciclos de violência e exclusão social.

O que é o Sistema Socioeducativo?

O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), regulamentado pela Lei 12.594/2012, estabelece as diretrizes para o cumprimento das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A proposta é clara: adolescentes devem ser responsabilizados por atos infracionais, mas com ênfase na reintegração social, por meio de educação, profissionalização e acompanhamento psicossocial.

Na prática, no entanto, o que se observa é um sistema superlotado, com denúncias recorrentes de violações. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que a maioria dos jovens internos é negra, com baixa escolaridade e oriunda de periferias, evidenciando a seletividade penal que também marca o sistema prisional adulto.

A Crítica das 'Miniprisões'

A declaração que intitula este artigo não é isolada. Em audiências públicas e relatórios de organizações como a Conectas Direitos Humanos, a comparação com prisões é recorrente. "Faltam vagas, faltam professores, falta atendimento psicológico. O que sobra é tempo ocioso e violência institucional", descreve um relatório recente.

A crítica central é que as unidades, conhecidas como Fundação Casa (SP), DEGASE (RJ) ou similares em outros estados, tornaram-se verdadeiros "depósitos de adolescentes". A estrutura física frequentemente se assemelha a cadeias, com celas frias, grades e revistas humilhantes.

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Reincidência e a Falta de Políticas Públicas

Um dos indicadores mais preocupantes é a alta taxa de reincidência, que em algumas regiões ultrapassa 50%. Isso significa que, para muitos jovens, a passagem pelo sistema socioeducativo não representa uma chance de recomeço, mas sim um estágio preparatório para o crime. Especialistas apontam que a falta de programas efetivos de educação profissionalizante e a ausência de suporte familiar são os principais fatores.

A situação é agravada pela precarização do trabalho dos agentes socioeducativos, que atuam em condições insalubres e sem capacitação adequada para lidar com as demandas específicas da adolescência.

Medidas em Meio Aberto: A Saída?

Especialistas e ativistas defendem que a prioridade deve ser a aplicação de medidas em meio aberto, como a Liberdade Assistida (LA) e a Prestação de Serviços à Comunidade (PSC). Estas medidas, se bem executadas, mantêm o jovem em sua comunidade, em contato com a escola e a família, sob a supervisão de uma equipe técnica.

O ECA determina que a internação é uma medida excepcional, aplicada apenas em casos de grave ameaça ou violência. No entanto, o senso comum e a pressão midiática frequentemente empurram o Judiciário para decisões punitivistas, contribuindo para a superlotação.

O Papel do Legislativo e do Judiciário

Projetos de lei no Congresso Nacional tentam endurecer as regras do sistema socioeducativo, reduzindo a maioridade penal ou aumentando o tempo máximo de internação. Organizações da sociedade civil alertam que essas propostas agravam o problema, afastando-se do modelo de justiça restaurativa previsto na Constituição.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou em diversas ocasiões sobre as condições degradantes das unidades, determinando a realização de mutirões carcerários e a melhoria das condições.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

O que diz o ECA sobre a internação?

O ECA determina que a internação deve ser excepcional, breve e respeitar a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. A privação de liberdade não pode ultrapassar 3 anos.

Qual a diferença entre o sistema socioeducativo e o prisional?

O sistema socioeducativo é voltado para adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos, com foco pedagógico e ressocializador. O sistema prisional é para adultos, com caráter punitivo. Na prática, as fronteiras entre ambos muitas vezes se confundem.

Como funciona a Liberdade Assistida?

O adolescente é acompanhado por um orientador que o auxilia na reinserção escolar, na busca por cursos profissionalizantes e no fortalecimento dos vínculos familiares. É uma medida que exige estrutura do município.

O que é Justiça Restaurativa?

É um modelo de justiça que busca o diálogo entre a vítima, o ofensor e a comunidade, para reparar o dano causado e evitar a reincidência. Tem sido aplicada com sucesso em diversas Varas da Infância e Juventude.

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