Saúde

Vacina oral contra poliomielite não será mais aplicada no Brasil

Por Redação Jurema em Foco

O Brasil está substituindo a vacina oral contra a poliomielite (VOP), a popular gotinha, pela versão injetável (VIP), alinhando-se às diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para erradicação definitiva da doença. A mudança, já implementada na rotina dos postos de saúde, representa um avanço na segurança e eficácia da imunização infantil e faz parte do plano mundial que prevê abolir completamente o uso da vacina oral até 2026.

Por que o Brasil está substituindo a VOP pela VIP?

A vacina oral foi essencial para reduzir drasticamente os casos de poliomielite no mundo nas últimas décadas. No entanto, em raríssimas ocasiões, o vírus vivo atenuado presente na VOP pode sofrer mutação e causar paralisia em pessoas não vacinadas ou imunossuprimidas — são os chamados casos de poliovírus derivado da vacina (VDPV). Com a erradicação da poliomielite selvagem em praticamente todos os continentes, o risco-benefício passou a pesar contra o uso continuado da VOP.

O surgimento de surtos de VDPV em alguns países com baixa cobertura vacinal reforçou a necessidade de eliminar gradualmente o uso da vacina oral. A vacina injetável (VIP) é produzida com vírus inativado, eliminando por completo qualquer risco de contágio associado à vacinação. A decisão brasileira segue a estratégia da OMS, que recomenda a troca da VOP pela VIP em todos os calendários nacionais.

O histórico da poliomielite no Brasil

O Brasil não registra casos de poliomielite selvagem desde 1989, graças às campanhas de vacinação em massa e aos altos índices de cobertura vacinal. A última vez que o país enfrentou um surto foi em 1986. Desde então, a manutenção da imunização — primeiro com a VOP e depois com a VIP — tem sido fundamental para impedir a reintrodução do vírus. O país chegou a aplicar a vacina oral em doses de reforço por muitos anos, garantindo a proteção coletiva. A substituição pela injetável é mais um passo para assegurar que a pólio não retorne.

Diferenças entre a vacina oral e a injetável

  • Composição: A VOP contém vírus vivo atenuado; a VIP contém vírus inativado (morto).
  • Forma de administração: A VOP é administrada por via oral (gotinhas); a VIP é injetável por via intramuscular.
  • Eficácia: Ambas são altamente eficazes, mas a VIP oferece proteção sem absolutamente nenhum risco de paralisia associada à vacina.
  • Esquema vacinal atual: No Brasil, a VIP já é aplicada aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 15 meses. A VOP era usada como dose adicional em algumas faixas etárias e agora está descontinuada.
  • Segurança para imunossuprimidos: A VIP pode ser administrada em crianças com sistemas imunológicos comprometidos, enquanto a VOP é contraindicada nesses casos.

Como fica o calendário de vacinação?

Com a substituição, a vacina oral deixou de ser aplicada definitivamente. As crianças continuam recebendo as três doses da VIP (aos 2, 4 e 6 meses) e um reforço aos 15 meses. Quem já completou o esquema básico com as doses da VIP não precisa de nenhuma dose extra. Para crianças que haviam recebido apenas a VOP, o Ministério da Saúde orienta a complementação com a VIP de acordo com a faixa etária, seguindo a avaliação do profissional de saúde. Não há mais necessidade de nenhuma dose de VOP em nenhuma fase da vida.

A importância de manter a vacinação em dia

A poliomielite é uma doença altamente contagiosa que pode causar paralisia irreversível e até a morte. A vacinação é a única forma de prevenção. Embora o Brasil esteja livre da poliomielite há mais de três décadas, a baixa cobertura vacinal registrada em algumas regiões nos últimos anos acende um alerta. Manter a caderneta de vacinação em dia, com as doses da VIP, é essencial para garantir a proteção individual e coletiva. A substituição da VOP pela VIP reforça a segurança da imunização, eliminando os riscos associados ao vírus atenuado.

O panorama global da substituição

Mais de 170 países já utilizam exclusivamente a vacina injetável contra a poliomielite. A OMS estabeleceu um cronograma para que todos os países abandonem a VOP até 2026, como parte da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio. Países como Estados Unidos, Canadá, Japão e a maioria dos países europeus já usam a VIP há anos. O Brasil se junta a essa lista com a decisão de retirar a gotinha dos postos de saúde, completando a transição de forma planejada.

Perguntas frequentes

1. A vacina oral ainda é usada em algum lugar?

Sim, a VOP continua sendo empregada em países de alto risco onde a poliomielite selvagem ainda é endêmica, como Afeganistão e Paquistão, e em campanhas emergenciais de vacinação em massa durante surtos de VDPV.

2. Quem já tomou a VOP precisa tomar a VIP?

Se a criança já completou o esquema vacinal recomendado (três doses da VIP mais o reforço), não é necessário repetir doses. Para aquelas que receberam apenas a VOP, a orientação deve ser dada pelo pediatra ou profissional de saúde da unidade básica, que pode indicar a complementação com a VIP conforme a idade.

3. A VIP é mais segura que a VOP?

Sim, por ser produzida com vírus inativado, a VIP não oferece nenhum risco de causar poliomielite associada à vacina. Para crianças imunossuprimidas ou que convivem com pessoas com baixa imunidade, a VIP é a opção mais segura.

4. A vacina injetável dói?

Como qualquer injeção, pode causar um leve desconforto no local da aplicação, mas é bem tolerada pelas crianças. O benefício de prevenir uma doença grave supera amplamente o incômodo momentâneo.

5. A vacina injetável protege contra a transmissão do vírus?

A VIP é altamente eficaz para prevenir a paralisia causada pela poliomielite. Embora a proteção contra a transmissão do vírus no intestino seja um pouco menor do que a conferida pela VOP, estudos mostram que a VIP também reduz significativamente a excreção viral, contribuindo para a proteção coletiva, especialmente quando combinada com altas coberturas vacinais.

6. O que fazer se meu filho perdeu alguma dose da vacina?

Compareça ao posto de saúde mais próximo com a caderneta de vacinação para que o profissional avalie o esquema vacinal. O Ministério da Saúde oferece protocolos para atualização das doses atrasadas, sempre com a vacina injetável. Não há necessidade de recomeçar o esquema.

A mudança para a vacina injetável é mais um passo rumo à erradicação global da poliomielite. O Jurema em Foco continuará acompanhando as atualizações sobre o calendário de vacinação e a saúde pública no Brasil e no Ceará. Mantenha a vacinação do seu filho em dia e compartilhe essa informação com outras famílias.