Especialistas pedem mais vacinação contra aumento da dengue no verão
Com a chegada do verão e o aumento das chuvas em grande parte do Brasil, cresce também a preocupação com a dengue. Especialistas em saúde pública e infectologistas de diversas instituições estão pedindo que as autoridades intensifiquem as campanhas de vacinação antes que os casos atinjam níveis críticos. A vacina contra a dengue, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em regiões endêmicas, é considerada a principal ferramenta para evitar hospitalizações e óbitos. No entanto, a cobertura vacinal ainda está aquém do necessário para frear a propagação do vírus.
Cenário da dengue no Brasil
O Brasil registra, historicamente, grandes surtos de dengue nos primeiros meses do ano, período de calor intenso e chuvas frequentes, que criam condições ideais para a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Em 2024, o país ultrapassou a marca de 6 milhões de casos prováveis, um recorde histórico, segundo o Ministério da Saúde. Para 2025, a expectativa dos especialistas é de que os números continuem elevados, especialmente se as medidas de prevenção e vacinação não forem ampliadas. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e o Distrito Federal têm sido os mais afetados, mas todas as regiões brasileiras estão sob risco.
A importância da vacinação contra a dengue
A vacina Qdenga (TAK-003), desenvolvida pelo laboratório Takeda, é a primeira vacina contra a dengue aprovada no Brasil que não exige teste sorológico prévio. Ela protege contra os quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e demonstrou eficácia de 84% na prevenção de hospitalizações. Desde fevereiro de 2024, o Ministério da Saúde a incorporou ao calendário do SUS, priorizando crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária com maior taxa de hospitalização pela doença. No entanto, a adesão tem sido irregular. Dados preliminares indicam que muitos municípios não atingiram 50% de cobertura vacinal, o que acende um alerta entre os profissionais de saúde.
“A vacina é segura e eficaz. Precisamos de um esforço conjunto do governo federal, estados e municípios para levar a imunização a todos os jovens elegíveis”, afirma o infectologista Dr. Carlos Alberto da Silva, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ele ressalta que campanhas de conscientização e mutirões de vacinação nas escolas podem ajudar a aumentar a cobertura.
O que dizem os especialistas
Diversas entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, têm se manifestado publicamente em favor da ampliação da vacinação. Em nota conjunta, as organizações recomendam que as secretarias municipais de saúde realizem busca ativa de crianças e adolescentes não vacinados, especialmente nas áreas com maior incidência de dengue.
Em cidades como Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, a secretaria municipal de saúde já organiza mutirões aos sábados para facilitar o acesso à vacina. “Precisamos levar a vacina para perto da população, em horários alternativos, para que os pais possam acompanhar seus filhos”, explica a enfermeira responsável pela imunização no município. A prefeitura de Caucaia tem investido também em campanhas educativas e na eliminação de criadouros do mosquito.
Medidas de prevenção além da vacina
Embora a vacinação seja a estratégia mais eficaz a longo prazo, ela não substitui as medidas tradicionais de combate ao Aedes aegypti. O mosquito é o principal transmissor da dengue, da chikungunya, do zika e da febre amarela urbana. As recomendações dos especialistas incluem:
- Eliminar recipientes que possam acumular água parada, como pneus, garrafas, vasos de plantas e caixas d’água destampadas.
- Manter calhas limpas e caixas d’água vedadas.
- Usar repelentes nas áreas expostas do corpo, principalmente durante o dia, quando o mosquito é mais ativo.
- Instalar telas de proteção nas janelas, especialmente em regiões com alta infestação.
- Colocar areia nos pratos de vasos de plantas para evitar acúmulo de água.
- Em casos de sintomas como febre alta, dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele, procurar imediatamente uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quem pode tomar a vacina da dengue no SUS?
Atualmente, a vacina Qdenga está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos que residem em regiões endêmicas. A aplicação é em duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
2. Quem já teve dengue pode tomar a vacina?
Sim. A vacina pode ser administrada mesmo em pessoas que já tiveram dengue. Não é necessário realizar teste sorológico antes da vacinação.
3. A vacina protege contra todos os sorotipos?
Sim. A Qdenga foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, reduzindo o risco de formas graves da doença.
4. Além das crianças, outros grupos serão vacinados?
O Ministério da Saúde ainda não anunciou a ampliação da faixa etária. No entanto, especialistas defendem a expansão gradual para adolescentes mais velhos e adultos, conforme a disponibilidade de doses.
5. O que fazer se eu apresentar sintomas de dengue?
Procure a unidade de saúde mais próxima para avaliação médica. Não se automedique, especialmente com anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramentos. Hidrate-se bem e mantenha repouso.
